A palavra Motivação poderia ser definida como Motivos para a Ação, ou seja, as razões que encontramos para fazer algo que nos leva a um lugar onde queremos estar. Se quero uma promoção, tenho razões para trabalhar para consegui-la, portanto estou motivado.

Mas no dia a dia não é tão simples assim. A todo momento vemos pessoas estabelecerem seus próprios objetivos e se sabotarem, não fazendo o que é necessário para atingi-los. Nós somos assim. E tem um enigma aí.

Há quem separe Motivação de Engajamento. Eu faço isso apenas para fins didáticos – para entendermos dois comportamentos que temos:

 

Motivação 

Quando estou motivada, não desisto facilmente, venço dificuldades e persevero. Sou eu nas sessões de yoga – aqueles dias e horários são sagrados na minha agenda. É o aluno de idiomas que não falta à aula e chega no horário. Estamos motivados.

 

Engajamento 

Quanto estou engajada, eu aumento os pontos de contato, eu crio condições de explorar o tema, eu organizo o tempo para que eu estude, pratique e possa evoluir.  Se eu nunca “tenho” tempo pra praticar yoga fora das sessões agendadas, então provavelmente não estou muito engajada com minha evolução. É aquele aluno de idiomas que perde 10 minutos explicando pro professor as razões pelas quais ele não teve tempo de estudar fora da aula. Parece que falta um compromisso maior com a evolução.

Então acho que motivação é diferente de engajamento. Tem gente motivada mas não engajada. Tem gente que tem surtos de engajamento: um aluno que faz tarefas de um estágio inteiro em um dia, e entrega ao professor.

Mas neste texto, vamos chamar tudo de motivação, entendendo que estamos estudando os Motivos para Ação, ou O Que Nos Move.

 

O que Motiva Você

Dinheiro

As pessoas que se motivam por dinheiro fazem sacrifícios, abrem mão do prazer, do descanso, da família, da saúde – por dinheiro. Outras, mesmo sabendo que vão ganhar mais se conseguirem aquela promoção, não se motivam. Sabem que vão ganhar mais se baterem uma meta, mas não fazem o que é necessário para batê-la.

Mas será que, qualquer pessoa se motiva por dinheiro, e em qualquer contexto?

Um estudo do MIT (Massachusetts Institute of Technology), realizado com estudantes de universidades americanas e com pessoas carentes da Índia, concluiu que se as tarefas a serem realizadas forem mecânicas, e as pessoas tiverem um nível cognitivo baixo, funciona a lógica comum de dar mais bônus para os que tiveram melhor performance e nenhum bônus para os que tiveram performance ruim. Os que tiveram melhor performance vão querer continuar a receber o dinheiro, e os que tiveram performance ruim vão querer melhorar, para ganhar algum. No entanto, se a tarefa requer maior nível cognitivo, criatividade e raciocínio, esta lógica não funciona, ou seja, mais bônus não motiva melhor performance. Se você conhece a pirâmide de Maslow, deve ter pensado nela agora. Se a pessoa tem o suficiente para não pensar em dinheiro todo o tempo, ela começa a buscar outros drives de motivação.

 

Reconhecimento

As pessoas que se motivam por reconhecimento gostam de receber elogio, se sentem únicas diante do professor ou de um chefe, e se dedicam muito para se sentirem assim e para serem reconhecidas.

 

Tarefa Realizada

As pessoas desse grupo adoram colocar tudo em uma lista e ir fazendo, riscando. Nem pensam muito se o que estão fazendo é de fato relevante, porque o prazer está em realizar. Fazem infinitas reformas em casa, para terem sempre o prazer de terminar algo.

 

Poder

Gostam de ensinar os outros, de serem consultadas, de se sentir mais cultas ou mais hábeis que os colegas em algum aspecto. Gostam de ver que fizeram mais que os outros.

 

Apreciação

E aí entram as Linguagens do Amor, tão disseminadas pelos seguidores do Chapman, autor do livro que trata deste tema. Uma pessoa pode se sentir apreciada ou amada, quando percebe que o outro se comunica com ela em uma dessas linguagens:

· atos de serviço (quando alguém a ajuda em algo)
· toque (quando alguém a abraça)
· palavra (quando alguém fala o quanto gosta dela ou que ela fez um bom trabalho)
· tempo de qualidade (quando alguém fica com ela, dando atenção)
· mimos (quando alguém traz um presentinho – mesmo que seja uma cartinha que demonstra que esta pessoa pensou nela)

Tudo isso a motiva a agir na direção que ela entende que vai levá-la à repetição do comportamento que ela quer que o outro tenha. Ou seja, se eu estudei muito e minha mãe me elogiou para a minha tia, e eu tenho esta linguagem como predominante em mim, é possível que eu continue estudando muito para sempre ouvir elogios. É também possível que eu elogie os outros, como forma de demonstrar minha apreciação. E, finalmente, é possível que eu não me sinta tão apreciada quando alguém me abraça ou me dá um presente, se comparado a quando alguém me fala que gosta de mim, ou me diz que sou uma excelente profissional.

Compreender estas linguagens em si mesmo e nos outros nos faz ampliar as expressões de afeto, nos faz usar a linguagem correta para cada pessoa que nos cerca, e nos faz entender a linguagem que alguém está usando conosco – mesmo que não seja a nossa.

 

Autonomia

Poder escolher o tipo de trabalho, ou como desempenhá-lo. Em um curso, poder escolher o conteúdo, poder caminhar pela trilha que ele encontrou. Trabalhar ou estudar no dia e hora que ele quiser (mesmo tendo um prazo a cumprir). Ter voz, poder construir junto e não apenas seguir, obedecer, cumprir. Tudo isso faz com que ele queira agir, com que ele tenha motivos para agir, motivos para a ação, motivação.

O professor queniano Peter Tabichi, ganhador do Prêmio Global Teacher Prize, nos lembra que é ilusão achar que todos os alunos estarão motivados. Mas mesmo assim, ele diz aos seus alunos que acredita neles, que confia neles. Ele não adota métodos centrados no professor, mas sim no aluno, e os ajuda a criar inovação, a partir de suas próprias ideias. Ele define metas em conjunto.

 

Propósito

Algo maior, que dá significado à existência. Um aluno que se motiva pelo propósito poderia ser estimulado a dar aulas de graça em uma instituição – tudo o que ele aprende, ensina para pessoas carentes. Isso o motivaria, ele veria significado no que estuda. Viver o propósito é entender o porquê da existência – e como nossa alma se expressa neste mundo, no sentido da nossa evolução e da evolução dos outros.

 

A Conclusão?

Voltamos à Grécia antiga, e relembramos a inscrição que se via na entrada do Oráculo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo. Nada mais atual.

Conheça seus drives de motivação – dinheiro? reconhecimento? autonomia?

Conheça suas linguagens do amor – atos de serviço? mimos? palavras?

E também conheça as pessoas que você ama, com quem você convive, a quem você ensina. Mas saiba que, quando se sentir muito motivado para algo, também haverá desafios, e que ao enfrentá-los você pode se esquecer de tudo isso. E aí terá de recomeçar, percorrendo o mesmo caminho novamente – ou outros, para reconquistar a motivação, já que a vida é feita de ciclos.

 

Escrito por Rosangela Souza e publicado no portal Vagas Profissões. Editado para o blog da Companhia de Idiomas.

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