Nosso cérebro é a ferramenta mais importante no processo de aprendizagem de um idioma estrangeiro, por isso é muito importante saber como utilizá-lo bem para alcançar os melhores resultados. Ele é constituído por uma enorme rede de neurônios. Cada neurônio é capaz de se conectar a dezenas de milhares de outros neurônios, ou seja, possibilidades infinitas de conexões e, quanto mais usamos, mais aprendemos coisas novas, melhor nosso cérebro fica. Por isso, nunca é tarde para começar a estudar idiomas. Mas uma coisa pode ser novidade para você: para estudar uma nova língua, também é preciso saber aprender.

 

Os neurônios fazem e desfazem conexões ininterruptamente. Aqui está uma informação chave: o cérebro funciona muito bem através de associação de ideias. Em termos de memória, podemos dizer que, quando aprendemos palavras novas, formam-se conexões fortes e numerosas, o que faz com que os caminhos para acessar essas palavras sejam muito curtos e rápidos.

Em contrapartida, as conexões entre os neurônios se enfraquecem caso não sejam usadas frequentemente. O cérebro faz uma faxina inteligente, joga fora aquilo que não usa ou usa muito pouco. Se não estudamos, revisamos e aplicamos regularmente todo o conteúdo visto nas aulas, fica difícil estruturar as frases e falar com desenvoltura. Desta forma, uma boa técnica é estabelecer metas semanais para inserir as palavras novas em nosso discurso até que façam parte do nosso “banco de dados” do inglês.

 

Nosso “banco de dados” pessoal

Nós temos um banco de dados incrível do português que contém sons, palavras e estruturas gramaticais já automatizadas pela exposição e uso constante desde que nascemos. Quando aprendemos um novo idioma, o conteúdo desse banco de dados não tem nenhum referencial e o cérebro traz os sons, ou seja, a pronúncia desse idioma para essa base de dados, para as conexões neurais existentes. O mesmo acontece com as estruturas gramaticais e vocabulário. O cérebro usa a língua materna como filtro para pronunciar palavras e também formar frases. Temos de caminhar pelo mapa não explorado de outro idioma e aceitar que vamos cometer muito erros no processo de aprendizagem.

O cérebro humano é um consumidor voraz de energia. Ele ocupa apenas 2% aproximadamente da massa corporal. No entanto, usa mais de um quinto da energia do corpo. Ao criar novas conexões neurais, isto é, parâmetros em um novo banco de dados, consome ainda mais energia. Como provoca cansaço mental, isso explica a tentação de muitos alunos quererem usar português em aula. É mais rápido, fácil e menos desgastante. Mas não desista: continue usando o idioma que está estudando que logo tudo ficará mais fácil.

Se quiser estudar mais sobre como aprender idiomas estrangeiros e melhorar a memória, assista a essas palestras do TED:

 

Escrito por Lígia Velozo Crispino e publicado na coluna semanal de inglês da Revista Exame. Editado para o blog da Companhia de Idiomas.

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