Novamente a baixa proporção de estudantes universitários que dominam fluentemente um idioma além do Português, chamou a minha atenção em algumas palestras e encontros com estudantes. Embora seja um tema recorrente, acredito que vale dedicar um olhar mais atento novamente.

Principalmente nos cursos de Engenharia e Tecnologia, a proporção segue sendo desastrosamente baixa em nosso país.

Percebo que há três questões fundamentais que geram esta situação entre os estudantes.

A primeira se refere ao nível de conscientização entre os jovens sobre o valor deste conhecimento. Principalmente para aqueles que não estão tão expostos aos ambientes que valorizam o inglês, para exemplificar com o mais comum, que nem sempre é tão comum como imaginamos. A grande diferença nas empresas é que já não se investe tanto em criar esta habilidade nos funcionários, mas sim, busca-se contratar pessoas com esta capacidade.

Um bom exemplo é o processo de contratação nas multinacionais onde já se evita entrevistar candidatos que não possuem esta habilidade. Cruel? Parcial? Discriminatório? Pode ser… Mas o mundo dos negócios já é assim. Muitos das melhores oportunidades para se iniciar uma carreira dependem deste conhecimento. Ou você se conscientiza disso, ou fica fora destas oportunidades.

A outra questão é muito interessante. Pois muitos acham caro e que não tem tempo e recursos para estudar um idioma adicional. Quantas horas seriam necessárias para uma pessoa aprender um idioma? Creio que um nível intermediário poderia ser alcançado com 700 horas a 1.000 horas dedicadas. Especialistas em ensino de idiomas deram-me estas referências.

Como esta demanda de tempo, necessária para se obter uma habilidade crucial, se compara com outras atividades na vida de um jovem de 21 anos? Que tal exemplificar com o tempo médio acumulado por este jovem na atividade de video-game? Segundo pesquisas, um jovem nesta idade já acumulou em média 3.500 horas de video-game!

Este tempo é muito mais do que o necessário para concluir cursos universitários! É possivelmente o dobro do tempo necessário para aprender um idioma importante como o inglês.

E o custo? Para quem tem acesso à Internet, o aprendizado pode ser muito barato e até mesmo sem custo, usando os recursos colocados à disposição na web.

Por que a insistência num tema que para muitos já faz parte do passado? Porque ainda para muitos, faz parte do futuro!

Há uma inversão na sequência de investimentos na formação profissional de muitos jovens. Fazer um MBA, sem ter pelo menos o domínio do inglês, poderá acrescentar poucas oportunidades de desenvolvimento de carreira. Ter um bom inglês, sem ter um MBA, pode acrescentar muito mais oportunidades!

Uma terceira questão essencial é ter acesso diretamente às informações do mundo todo. Muitos textos e muitas informações nunca são traduzidas para o Português, e o acesso a estas informações requer um bom domínio do inglês, pelo menos. O Google Translator está cada dia mais útil, mas ajudará muito pouco numa comunicação com o seu interlocutor.

A minha experiência pessoal é de que o conhecimento de idiomas adicionais foi mais importante para as oportunidades que tive na carreira do que outros conhecimentos. Vale comentar que nunca fui tradutor ou interprete…

Valeria a pena questionarmos por que as universidades não proporcionam este conhecimento complementar aos seus alunos? Mesmo quando programas oficiais de bolsas como "Ciência sem Fronteiras" exigem conhecimento de "Inglês Avançado"? Esta sim, pode parecer uma demanda discriminatória para muitos jovens estudantes…

Fonte: Yoshio Kawakami. Conheça o blog do autor: http://www.yoskaw.blogspot.com.br

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