Uma funcionária da Companhia de Idiomas, a Janaina Plácido, me disse na semana passada que o novo desenho em cartaz, Universidade Monstros, tinha tudo a ver com o que falamos por aqui, sobre escolhas, talento x persistência – e sobre carreira.

Então, aproveitando a ótima companhia da minha filha adolescente que ama as produções dos estúdios Disney, lá fomos nós assistir. Minha intenção era me divertir com ela e também escrever para vocês sobre o que podemos refletir e aprender com o filme.

Não vou contar o filme, mas definitivamente ele não é sobre o que está escrito nas resenhas dos cinemas! Não é exatamente só sobre como nasceu a amizade entre o Mike Wazowski e James P. Sullivan.

Se você já viu, proponho que tente se lembrar das cenas em que estes pontos foram abordados e me escreva para contar o que pensa.

E se não viu ainda, já vá para a sala do cinema com estes temas em mente.

Eu particularmente acho uma forma muito divertida de aprender qualquer coisa: com livros, músicas e filmes!

1) TALENTO OU DISCIPLINA? Mike achava que tinha talento para ter uma função muito importante: a de Assustador. Tinha disciplina para estudar a teoria e muita determinação. Será que estes comportamentos superariam a perceptível falta de talento? Sullivan tinha um talento natural, mas era indisciplinado, não achava que precisava de teoria nenhuma, afinal, ele nasceu para ser Assustador! Ter talento natural é suficiente?

2) BOLA DO JOGO OU TRABALHO EM EQUIPE? Por causa de sua super autoconfiança, o Sulley começou a achar que era possível ganhar sozinho a competição, que nem precisava daquele time de “incompetentes”. Se o jogo é coletivo, você tem de trabalhar em equipe, cuidando e sendo cuidado pelos outros, respeitando as limitações e explorando as forças do time? Ou não há tempo para isso e, para ganhar, precisa assumir que é a estrela brilhante e solitária do time e definir a partida sozinho?

3) QUAL A RECEITA DO TALENTO? Entre os que têm talento natural, não há muitas similaridades. Há monstros assustadores de todo jeito! Cada um foi explorando seus dons à sua maneira. Pense nisso.

4) TALENTO É COMPATÍVEL COM HUMILDADE? Quem tem talento natural e consegue resultados sem muito esforço deve ter muito cuidado com a arrogância. No fundo, ele não entende como os outros podem ser tão “burros” e não conseguir os mesmos resultados! Assim, começa a tratar os outros como seres inferiores. O talento precisa caminhar junto com a humildade, esse é o desafio.

5) E SE O TALENTO NÃO FOR NATURAL? Se você descobrir que está em uma empresa, uma área ou função para a qual não tem o menor talento natural, mas quer muito trabalhar lá ou naquela função, como o Mike queria ser Assustador, tem de saber que terá de ter o triplo de técnica, estudo, persistência, relacionamentos e disciplina. Terá de ensaiar e se preparar mais, para sempre. E terá de ter quatro vezes mais autoconfiança para se expor diante dos naturalmente talentosos. Terá de ser destemido e surpreendente, todos os dias.

6) Se você ainda está no início de sua carreira, precisa primeiro se conhecer melhor antes de fazer qualquer escolha: seus interesses e talentos naturais, aquilo que adora fazer quando não tem nada para fazer, onde e fazendo o quê se sentiria feliz. Tente ao máximo aproximar estes talentos e atividades da sua vida profissional. Se não for possível, releia o item 5.

7) E QUANDO “CHEGAR LÁ” ? Aqueles que se destacam em qualquer grupo são convidados a “pertencer” a uma classe diferente. Na escola, integram-se aos mais populares (no desenho, Sulley foi convidado a integrar a Fraternidade ROR) . Na família, são anfitriões ou os que patrocinam as reuniões ou viagens. Na empresa, tornam-se chefes ou estão sempre com eles. Tem um ditado corporativo que diz: “Quando pegar o elevador e chegar à cobertura, lembre-se de mandar o elevador de volta ao térreo, para trazer mais alguns com você.” Mandar o elevador de volta significa compartilhar o que aprendeu, relacionar-se com quem está começando, manter-se com os pés no chão, ajudar a capacitar os menos talentosos.

8) Quem é naturalmente talentoso mas indisciplinado pode, aos poucos, se desatualizar e perder um pouco do jeito da coisa. E como foi reconhecido por seus resultados por tempo demais na vida, corre o risco de, nessa hora, começar a trapacear de alguma maneira, para não decepcionar os outros. Nada disso é regra. Mas é sempre uma lição para todos nós: o fim não justifica os meios, isso não mudou.

9) QUAL O PREÇO DO SUCESSO? Em sua carreira seu principal objetivo tem de ser manter a harmonia nos seus relacionamentos, com liderados, líderes ou pares que passarem na sua vida. Não significa ser conivente ou subserviente, mas não queira pagar o alto preço de acumular inimigos. Assim como perder nossa saúde física e mental, ter inimigos é um preço muito alto no final da vida e nunca ninguém disse que vale a pena, nem os bilionários. Mesmo havendo qualquer tipo de incompatibilidade profissional, a harmonia na relação precisa ser mantida na hora do conflito, da demissão ou depois dela. Assim como os inimigos Mike e Sulley foram forçados a se unirem, você poderá se deparar com alguém do seu passado, na sua futura empresa. Tente não ter nenhum inimigo em sua trajetória profissional, o que quer que aconteça.

10) SE SENTIR UM PEIXE FORA D´ÁGUA É BOM?? Mike e Sulley foram obrigados a trabalhar em um time de desajustados e sem talentos. Acho que esta é uma das principais reflexões do filme: o quanto um pouco de desajuste social pode nos beneficiar! A atriz Ingrid Guimarães deu uma entrevista recentemente para a Marília Gabriela, e ela cita este assunto: sentir-se um tanto perdido, desajustado nos ambientes e não exatamente parte de determinados grupos pode, sim, nos ajudar a nos conhecer melhor e a sermos mais disciplinados na vida. Parece que o ajuste total, a confortável sensação de pertencer e de ser amado por todos logo cedo (na adolescência, especialmente) nos leva para o que é externo, com forte tendência a nos tornar mais superficiais. Como nada que se refere a ser humano é uma regra, podemos dizer que se aplica a algumas pessoas que conheço: a mim mesma, à Ingrid Guimarães, ao Bill Gates e ao Mike.

“ Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, Carlos”! Ser gauche* na vida”
(Carlos Drummond de Andrade)
*gauche: esquerdo, desajeitado, estranho

Fonte: Rosangela Souza e Portal Carreira & Sucesso.

Rosangela Souza é fundadora  e sócia-diretora das empresas Companhia de Idiomas e ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.  Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs.  Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso. 

 


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