Para falar inglês com fluência, conhecer sobre todas as estruturas gramaticais e regras de pronúncia do idioma não basta. Ter desenvoltura é fundamental para demonstrar a proximidade com a língua e discorrer sobre ideias e temas diversificados. Mais do que a falta de conhecimentos sobre o inglês, é a timidez a grande vilã dos estudantes que não conseguem desenvolver a própria fluência.

A timidez ao falar inglês é caracterizada por um bloqueio que impede que informações sejam expressas, principalmente em um grupo de pessoas ou de estudos. Ela funciona como um sinal de autocrítica elevado, que atua como um filtro, capaz de avaliar se nossas atitudes estão de acordo com nossos valores. É preciso deixar claro que não há problema algum em ser introvertido! O problema da timidez só existe quando passa a ser um fator limitante de sua comunicação pessoal ou corporativa.

[CORTAR]No caso do estudo de línguas, a timidez pode impedir o progresso do aluno e até mesmo que ele reconheça sua evolução no estudo. Neste caso, além de limitar sua comunicação, a timidez pode gerar outro fator, ainda mais grave: a desistência do curso.

A pessoa tímida não sabe lidar com fatos inesperados, evitando, a todo custo, situações que tragam quaisquer possibilidades de surpresa. Em uma conversa com os colegas de turma ou mesmo com o professor, ela evita participar de situações de comunicação fora do tema proposto para a aula e literalmente “trava” diante de situações espontâneas.

Os tímidos também evitam situações nas quais possam se sentir expostos ou passíveis de receber críticas alheias, como apresentações em inglês para diretores da empresa, atender uma ligação do exterior na frente dos colegas do departamento, participar de um conference call, de uma entrevista de emprego etc.

Após 20 anos de experiência no contato com alunos que sofrem de timidez, desenvolvemos algumas dicas que podem ser levadas em consideração, não só no momento do estudo, como em toda a vida.

O primeiro passo é se desvencilhar da primeira trava da timidez: o julgamento. Julgar menos as pessoas ao redor ajudará não só a aceitar o outro, com suas qualidades e fragilidades, como também ajudará a aceitar a si mesmo. Demonstrar interesse pelo outro, iniciando conversas nos ambientes que frequenta, pode ser um caminho. Descobrir pontos em comum também é um bom começo.

Ainda com relação ao comportamento relacionado ao coletivo, uma dica importante é evitar comparações. O ato de comparar, por si só, estabelece que alguém deverá ser superior e o outro inferior. Seja qual for o lado que você escolha se colocar, isto denota uma baixa autoestima. Prestar atenção no outro, observando como ele se comporta, também ajuda a entender que simplesmente somos diferentes uns dos outros.

Já com relação à autoimagem, pequenas mudanças no dia-a-dia trazem uma grande mudança ao comportamento. Para começar, o ideal é sair da rotina e arriscar-se a fazer pequenas coisas diferentes do habitual. Outro costume que pode ser incorporado é o de prestar atenção em si mesmo e analisar se seus pensamentos, emoções e sensações estão de acordo com a postura que deseja ter.

Explorar as experiências que formaram sua autoimagem e avaliar quais são seus valores e crenças é fundamental para questionar-se. Ao mudarmos a crença, o comportamento também pode mudar.

A imaginação é uma forte aliada na recuperação da timidez. Testar novas atitudes para ver como se sentiria em determinadas situações pode ajudar a alterar seu estado interno. Imagine-se mais descontraído, mais solto. É uma forma de prever acontecimentos. No entanto, lembre-se de que, para cada pensamento negativo sobre você, deverá ser colocado um positivo! Isto ajudará a mudar o padrão de pensamento negativo em relação a si mesmo.

Especificamente para o estudo de inglês, o estabelecimento de metas realistas individuais, de aquisição de vocabulário, diárias, semanais ou mensais, é extremamente importante. Relacionar as palavras novas e tentar utilizá-las em suas aulas e em redações pode ajudar. Depois, passe a usá-las no trabalho, em viagens etc. Quando já as tiver incorporado ao seu discurso, elabore uma nova lista. Quanto mais palavras você tiver adquirido, mais fácil será a sua comunicação e, consequentemente, sua confiança.

Atenção à respiração! Suas emoções estão presentes no seu corpo. Ao se conscientizar delas, você terá maior controle sobre o que deseja para si!

Sozinho com suas ideias e censuras, o tímido transforma-se na sua própria barreira. Ele chama muito mais a atenção justamente pelo medo de errar, de se expor, de não ousar mudar em um mundo que prega o autoconhecimento como competência fundamental de empregabilidade. Só que muitos se esquecem que, mesmo quando estamos em silêncio, estamos sendo avaliados e julgados!

Lígia Velozo Crispino

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