No primeiro artigo de 2016, refletimos juntos nesta coluna da Catho sobre Gestão do Tempo. Falamos de um termo usado pelo Steven Covey: as pedras grandes.  O autor sempre faz esta analogia quando se refere ao que mais importa em nossa vida.  Ele diz que podemos pensar na vida como se fosse um vaso que preenchemos com pedras grandes (coisas importantes) e pedras bem pequenas (coisas irrelevantes).  Se começarmos a encher nosso vaso, ou nossos dias (e nossa vida, por consequência) primeiro com as pedrinhas pequenas (as banalidades), não conseguimos depois colocar as pedras grandes.  Do contrário, se começarmos com as pedras grandes (o que mais importa), depois até dá para jogar no vaso várias pedrinhas pequenas e elas se ajeitam, fazendo caber tudo. 

Geralmente nós sabemos o que mais importa: família, saúde, ter como viver com uma certa tranquilidade financeira, evolução espiritual para alguns etc.   Mas pode ser que você escolha aspectos bem diferentes da vida para suas pedras grandes, ou o que mais importa.   Um jeito de definir quais são elas, é pensar sobre o que vai importar quando você tiver, digamos, 70 anos.  Mas sem esquecer do que importa hoje também, já que a vida é hoje.    Se aos 20 você começou a cuidar diariamente de sua saúde, de suas relações e de seu nível cognitivo/cultural, há maiores chances de você se tornar um velho saudável, interessante, independente e feliz.  Você se tornará aquele tipo que todo mundo quer por perto. Aquele avô procurado pelo neto por sua sabedoria – e não visitado por ele no Natal, por obrigação familiar.  Quase tudo na vida é plantação e colheita, ação e reação.  E não é aos 69 que se começa, é agora.   A Karina, que trabalha na área de Consultoria e Tradução da Companhia de Idiomas, sempre fala:  “daqui a um mês você vai se arrepender por não ter começado hoje”.  Faz sentido! 

Às vezes, ouvindo amigos sempre dando as mesmas justificativas por não fazer o que importa, e vendo as consequências claras na vida de cada um, fico pensando…  Será que não estamos preenchendo nossas vidas com inúmeras pedrinhas, enchendo nosso vaso e saindo por aí a dizer que não temos tempo, que somos vítimas?  Vítimas de decisões que nós tomamos, de morar longe, de ter uma casa grande, de ter três filhos, de não ter estudado, de não estudar hoje. Dizer que não tem tempo tornou‐se um vício também. 

Vejo pessoas de 25 com sérios problemas de estômago porque não se importam com alimentação saudável.  Meu avô também não se importava, mas ele não comia agrotóxico junto com os alimentos, componentes químicos em qualquer comidinha, e não respirava fumaça todo dia.  Outros de 35 já estão com problemas de coluna que só eram comuns aos 60 – mas sentados o dia inteiro, sem atividade física, e sem se alongar todo dia, o corpo não aguenta mesmo.   E os de 45, já se entupindo de remédios, que resolvem tudo na hora, mas trazem novos problemas, que serão resolvidos com mais remédios. 

Mas o que tudo isso tem a ver com tempo?    Se não investimos tempo no que mais importa,  para termos mais tempo para as banalidades, teremos de destinar muito tempo para amenizar as doenças (físicas, mentais e de relacionamentos) depois.  A boa notícia é que um bom hábito traz benefícios em várias esferas da vida.  Um mau também.  Quem não conhece alguém que  é limitado hoje porque não se cuidou ontem? Que não tem dinheiro para uma viagem, porque gasta muito com remédio todo mês? Todos nós. 

Um bom exercício, que aplico nas palestras sobre Gestão de Tempo, é que você liste suas pedras grandes, aquilo que realmente mais importa e que fará você feliz sempre. Uma horinha para a saúde, várias para o trabalho ou estudo, um pouco de tempo para as relações off‐line.   

Quase nada  precisa ser eliminado, só o que você quiser.  Mas provavelmente tudo precisa ser ajustado, cada coisa em uma proporção que esteja mais alinhada aos seus sonhos.   Coloque primeiro as pedras grandes, garantindo para elas o tempo necessário em sua semana, deixando‐as em um lugar inegociável, sagrado e do tipo que não se cancela, não se cria desculpa.   Porque somos mestres em criar desculpas para não fazer o que não gostamos muito de fazer.  Disciplina é fazer o que não se gosta, mas é necessário. E como é você quem define o que é necessário, não é muito sacrifício, certo?   


É incrível, mas ainda vai sobrar espaço para preencher com pedrinhas pequenas:  alegria e entretenimento, sem os exageros e a banalização de uma vida. E para quem leu este artigo até aqui, agradeço com  um trecho de um poema de Mario Quintana: 

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta‐feira!
Quando se vê, já é Natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…”

Agora é com você.

Escrito por Rosangela Souza. Publicado em 09 de março de 2016 na Revista Catho. Editado por Rosangela Souza para o site da Companhia de Idiomas – Artigos de Gestão.


 

Colunista: Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso, RH.com e Exame.com.   Professora de Técnicas de Comunicação, Gestão de Pessoas e Estratégia na pós graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.


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