Imagine que você quer emagrecer com saúde.   Para isso, compra vários tipos de balança, modelos de adipômetro  (aquele aparelhinho que verifica porcentagem de gordura corporal) , e uma boa fita métrica para medir circunferência da barriga (suuuper importante) .  Aí você dedica várias horas do seu dia se medindo, se pesando e identificando detalhes da sua forma.


Alimenta planilhas e baixa aplicativos no seu smartphone. Também tira um tempo para ler, assistir e ouvir tudo sobre saúde, alimentação e atividade física.  Muito trabalho, muita informação…  só que  seu peso não diminui!


Não seria porque você não destinou tempo para mudar a alimentação e fazer exercícios diariamente, ou seja, as duas ações que realmente o ajudariam a atingir seu objetivo?    SIIIM!


Medir e pesar com frequência só nos deixa alertas, cientes da realidade, e isso representa o PRIMEIRO PASSO de qualquer mudança.  Peter Drucker já dizia que “se medir, não pode gerenciar”.  Então, fuja da cegueira, que é tentadora quando achamos que temos um problema.  No entanto, lembre-se de que só medir frequentemente – e cada vez mais de maneira inovadora e criativa não quer dizer gerenciar ou mudar alguma coisa, certo?


Vamos para nossas empresas:   novos KPIs, planilhas de monitoramento, painéis de metas, relatórios, apresentações, pesquisas,  softwares e aplicativos.   Uhuhuhu!  Agora vai.   Será que como medimos demais, não sobra muito tempo para fazermos algo relevante, que ajudará a atingir os objetivos?  E ainda, por conta do excesso, também não desenvolvemos nossa capacidade de análise e nos especializamos em apenas constatar e torcer para alguém fazer algo com aquela constatação?


Tenho pensado nestas duas questões:


– Será que temos balanças demais em nossas áreas e empresas, a ponto de nos esquecermos do que queremos de verdade e das ações necessárias para isso?


– Estamos realmente desenvolvendo nossa capacidade de análise e execução das mudanças que combinamos – ou só constatando de forma cada vez mais detalhada?


Li recentemente que o chef do melhor restaurante do mundo (o Noma, na Dinamarca) , começou sua carreira como lavador de pratos.  Naquela função, ele prestava atenção aos pratos sujos que voltavam, verificando quais comidas não eram consumidas.  Enquanto lavava, por muito tempo, observava que as comidas mais difíceis de comer não eram totalmente consumidas e ficavam no prato.  Então, começou a pensar em como criar pratos deliciosos, com comida de fácil consumo, porque não precisa ser complicado para ser chique.  Nossa Gloria Kalil nos lembra que “chique é ser simples”.


Mais reflexões…


– Será que complicamos tudo, para parecermos mais chiques (neste contexto, mais inteligentes)?


– Colocamos a mão na massa (ou nos pratos sujos) ou só vemos o mundo através de planilhas?


– E se colocamos a mão na massa, fazemos automaticamente, sem pensar, ou aproveitamos a oportunidade da prática para analisarmos o que pode ser melhorado?


Eu sou defensora do Planejamento Estratégico para MPMEs (micro, pequenas e médias empresas) e para nossas carreiras.  Dou aula disso na pós graduação da FGV.  Acredito mesmo que sem identificar a missão, visão, valores, metas e os indicadores do nosso desempenho, trabalhamos (ou vivemos) só para o hoje, só para apagar o incêndio do dia.  Mas acredito que o excesso de dados pode nos entorpecer, nos fazer sentir úteis só porque estamos super ocupados (embora fazendo nada relevante) .


O excesso de tarefas irrelevantes mas trabalhosas também pode nos fazer esquecer o sentido e o porquê de estarmos ali – naquela empresa, naquela área, naquela função.  Nos tornamos produtivos  e eficientes, nada felizes ou eficazes. Mesmo ganhando dinheiro, tudo fica meio vazio, sem significado. E felicidade está intimamente ligada a significado.


Então,  cuidado com o excesso de balanças pela casa. E fique de olho nos pratos sujos, pois eles podem ensinar muito.


 

É preciso coragem e disciplina para ser diferente. É preciso competência e disciplina para fazer a diferença. Um ótimo mês a todos!

 



Fonte: Rosangela Souza para o Portal Carreira & Sucesso



Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso.
 

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