Hoje temos nos deparado com uma situação um tanto contraditória: temos acesso a qualquer tipo de informação a um clique do computador ou celular. Vivemos a Era da Democratização do Conhecimento. No entanto, o que presenciamos é uma superficialidade muito grande norteando as pessoas.

Segundo o dicionário, superficial significa pouco profundo, pouco sólido, pouco fundamentado, leviano. Quando agimos superficialmente não nos atemos às minúcias. Qual é a consequência disso?

No ambiente corporativo, temos alguns problemas sérios:

1 – Os profissionais não têm mais paciência de ler mensagens, e-mails, relatórios, artigos, livros etc. Passam os olhos por algumas palavras e pretendem deduzir o conteúdo de forma rápida, sem perder tempo. 
2 – Para resolução de problemas são adotados os caminhos mais fáceis, não se pensam em todas as possibilidades. Tudo em nome da praticidade, a fim de passar para o próximo assunto.
3 – Em treinamentos para assumir a função de uma pessoa que foi promovida ou sairá da empresa, presenciamos aquele que está treinando querendo passar logo as atividades da sua função, com a intenção de se livrar para estar aberto ao novo. Quem está sendo treinado, por sua vez, não se interessa em perguntar, explorar, limitando-se a ouvir. Muitos simplesmente não anotam os detalhes que serão fundamentais para quando estiver sozinho responsável pela função.
4 – Muitos profissionais querem conhecer um pouco de tudo de várias áreas e funções e perdem o foco do que é realmente mais importante. Não se aprofundam em nada, quase tudo é tratado de forma rasa.
5 – Decisões são tomadas sem a devida clareza ou estudo dos fatos.
6 – Profissionais dão preferência para cursos rápidos, mas nem todo conhecimento é adquirido na mesma velocidade.

Sair da superficialidade significa aprofundar-se, perceber e entender. Para tal, é necessário que haja comprometimento, investimento em conhecimento e autoconhecimento mais profundo.

Não quero aqui defender que tudo seja abordado com profundidade. Não é isto! Em contrapartida, não dá para tudo ser visto superficialmente. O fato é que algumas situações exigem profundidade, análise cuidadosa. Outras demandam foco no que está sendo realizado. Por exemplo: se vou abrir um e-mail, preciso ler tudo com atenção e não algumas partes e já ir me preocupando com a resposta que vou dar. O importante é saber quando devemos ou não nos aprofundar. Não dá só para pensar demais e ser lento nem só para sair fazendo sem pensar, sem planejar, porque a chance de erro pode ser maior.

Para concluir, quero propor uma reflexão através de algumas citações sobre esse tema e também um questionário para que você, leitor, faça uma autoavaliação. Primeiramente, as citações que selecionei:

"Os defeitos, como as palhas, ficam na superfície. Para encontrar pérolas deve-se mergulhar". John Dryden, escritor inglês. 
"Aprender sem pensar é inútil. Pensar sem aprender, perigoso". Confúcio, pensador chinês.
"Pensar é um dos trabalhos mais difíceis que existe. Talvez por essa razão tão poucas pessoas o façam". Henry Ford, empreendedor americano, fundador da Ford.
"É melhor saber depois de ter pensado e discutido que aceitar os conhecimentos que ninguém discute para não ter de pensar." Fernando Savater, romancista e dramaturgo espanhol.
"Quem pensa com grandeza pode se enganar com grandeza". Martin Heidegger, filósofo alemão.
"Livre pensar é só pensar". Millôr Fernandes, escritor brasileiro.

Guimarães Rosa disse: "É possível através de um espelho reeducar o olhar".

Assim sendo, procure reeducar o seu olhar com o auxílio do questionário abaixo:

– O quanto você se dá conta da forma como lida com os temas que se apresentam no seu dia a dia?
– Como você reage sempre que alguém menos experiente o questiona sobre algo que você já faz há muito tempo? Você dá crédito e analisa ou simplesmente ignora?
– Você tem retrabalho por não ter lido atentamente as solicitações que lhe foram feitas?
– Você tem dificuldade para aceitar o diferente, o novo, pois acredita muito na fórmula do sucesso que você já conquistou?
– Você pergunta quando tem dúvidas ou faz pesquisa para entender melhor um determinado assunto?
– Você pesquisa quando alguém faz um comentário ou cita algum acontecimento sobre o qual você desconhecia?
– Você pede feedback?
– As suas ideias e opiniões são sempre melhores?
– Você é do tipo de pessoa que pensa demais para tomar decisões e, às vezes, deixa passar a oportunidade? O trem passa e você não sobe?

– Você é do tipo de pessoa que quase não pensa e age muito por impulso e, às vezes, arrepende-se do que faz ou diz?

Se quiser compartilhar suas experiências, será um prazer ouvi-lo!
 

Por Lígia Crispino para o RH.com.br

Ligia Crispino é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Formada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, possui cursos em Marketing de Serviços pela FGV; Gestão de Pessoas pelo Ibmec; Branding e Inteligência Competitiva, ambos pela ESPM; Business English em Boston. É analista quântica e dá palestras sobre comunicação, ensino, gestão de negócios e pessoas. Ligia escreve mensalmente para o VAGAS Profissões


WhatsApp chat