Estamos em janeiro, e este é o primeiro artigo de 2016 para esta coluna no Carreira e Sucesso da Catho.  Talvez seja um bom momento para pensarmos sobre o tempo.  Muita gente nesta época fala ou ouve a frase:  “Nossa, como este ano passou rápido!”


Também ouvimos outras frases que, de tão comuns, já nem damos importância mais:  “Estamos aí, na correria”  “Fiz assim, porque foi na correria.”  “Nem me lembrei, nesta correria.”

Ou qualquer frase com a palavra “correria”.  “Não fiz porque não deu tempo”. “Parei porque estou sem tempo”. “Queria muito, mas nem comecei ainda por falta de tempo”.   Ou qualquer frase com o sentido de “não tenho tempo”.

No fundo, muitos de nós achamos que dá até um certo status falar que se é ocupado, que está uma loucura etc.  O contrário, dizer que tem tempo para fazer o que se quer, que não está na correria permanentemente, que é dono do próprio tempo, parece coisa de gente acomodada, que não está “correndo atrás”, que não pensa grande. 

Ah, pensar grande!  Vemos tanta gente que, pensando grande, foi aos poucos abrindo mão de seus valores para alcançar esta tal sensação de grandiosidade.  Tantos que, correndo atrás sem freios, atropelaram amores, saúde, relacionamentos bacanas, projetos que não atendiam a exigência do conquistar “mais dinheiro/mais poder”.  Tudo que ouço dos que trilharam este caminho é que não valeu a pena.  Legal, casa bacana, chegou à presidência da empresa e tal. Mas o que perdeu pelo caminho era muito mais valioso.  Como ajudar quem está nesta trilha a repensar?

Cada um pensa como quiser: grande, pequeno, médio. Só acho que há coisas mais importantes do que o “pensar grande” tão apregoado pela mídia.  Ter ética sempre, ser senhor e não escravo do tempo e da agenda, ser feliz com as escolhas na maior parte do tempo.  Tudo isso tem de estar acima do “pensar grande” e não nortear nossa vida. Quantas pessoas foram perdendo ética, são hoje escravos das escolhas dos outros, e estão profundamente infelizes.

Ou será que não temos tempo porque nos perdemos com tudo o que a tecnologia nos colocou à disposição?  Por encantamento, afinal tem coisa muito muito legal por aí.  Por ingenuidade, porque não conseguimos perceber o quanto vamos nos tornando dependentes.  Por pressão dos grupos, porque é mesmo difícil dizer que você não usa determinada rede social, não vê importância em relatar tudo da sua vida pessoal ou não assiste aos vídeos nos grupos de whatsapp.   Mas tudo isso é um pouco libertador.

Será que estamos deixando de fazer o que mais importa, o que sabemos que queremos, sabemos que precisamos, por nos ocupar demais pensando grande, ou por nos ocupar demais com excesso de facebook, whatsapp, instagram, snapchat, netflix, spotify e tanta coisa sensacional que surgiu, e que nos deixou assim, meio escravizados, porque ainda não descobrimos que nós podemos equilibrar tudo isso, e fazer escolhas?

Recentemente dei um treinamento para funcionários da Companhia de Idiomas, sobre Gestão do Dinheiro e do Tempo.    Muitos esperavam dicas, mas já sabemos que isso resolve bem por uma semana, depois voltamos a fazer o que sempre fizemos.

O que pode ajudar, então?

O Steven Covey, autor de livros como O Oitavo Hábito, diz que todos temos de, todos os anos, definir quais são nossas pedras grandes. Explico.  Imagine que sua vida é um vaso, e que você tem de colocar pedras grandes e também pedrinhas.  Se começar a encher o vaso colocando as pedrinhas, provavelmente não conseguirá colocar as pedras grandes depois. Mas se começar colocando as pedras grandes, depois você despeja as pedrinhas e, de algum jeito, elas ocupam os espaços entre as pedras grandes, otimizando o espaço.   Mas o que isso tem a ver com Gestão do Tempo?

Hoje vemos horas, dias, anos, vidas desperdiçadas com excesso de pedrinhas. Ou seja, com coisas irrelevantes. Coisas que no início até são prazerosas, mas vão virando hábito, ou até vício, e, como todo hábito e vício, o prazer acaba e fica só a dependência.  Tudo isso nos entorpece, como droga mesmo.  Dar uma olhadinha toda hora nos novos posts;  ver só mais algumas novas mensagens; assistir a mais um episódio, depois dos dez que você já viu, daquela série legal; não conseguir fazer mais nada bacana sem postar.   Está tudo tão fácil, tão acessível, que, sem nos darmos conta, nos deixamos dominar. Alguns ficam horas à noite, outros diluem o hábito em muitos minutinhos por dia.    Essas são as pedrinhas que colocamos no vaso.  Um pouco de pedrinha todo dia é ótimo. Mas o vaso só tem um tamanho, medido em horas:  24.  

As pedras grandes são as coisas mais importantes da vida, e esta é uma escolha pessoal.  Para a minha, que pode ser diferente da sua, algumas pedras grandes são inegociáveis, como uma hora para a saúde física e mental, alguns minutos para saber o que acontece no mundo, outros para estudar (mesmo que você não esteja na escola, não tenha provas, apenas para aprender algo, sabe?).  Dedicar‐se à família e/ou ao seu amor, convivendo, batendo papo sem aparelhinhos por perto, falando de você, interessando‐se pelo outro.   Tudo isso pode ser pedra grande, e tenho a impressão de que aquela velha desculpa de que não se tem tempo se aplica mais para as grandes!

No próximo mês, vou continuar o tema, ajudando você a refletir sobre como escolher as pedras grandes, aquelas nas quais deveríamos destinar um tempo sagrado em nossos dias na Terra.

 

Feliz 2016!

Escrito por Rosangela Souza. Publicado em 27 de janeiro de 2016 no Portal Carreira & Sucesso. Editado por Rosangela Souza para o site da Companhia de Idiomas – Artigos de Gestão.


Colunista: Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso, RH.com e Exame.com.   Professora de Técnicas de Comunicação, Gestão de Pessoas e Estratégia na pós graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.


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