Segundo a Pearson, há no mundo aproximadamente dois bilhões de pessoas que estão aprendendo ou querem aprender inglês.  Com esta afirmação, temos certeza de duas coisas:  a) não estamos sozinhos, mesmo!  b) é muito importante compreender quais são as ferramentas e técnicas que  mais contribuem com a aprendizagem do idioma.  
 

A Pearson lançou recentemente um estudo com mitos e verdades sobre o aprendizado de inglês.  É claro que em um relatório com dados mundiais tudo deve ser colocado em perspectiva, considerando e relativizando com o ambiente, o país, os alunos, a cultura etc.  Vale ler pelo menos dois mitos, uma verdade e um “depende”, com algumas reflexões minhas sobre o tema.

1) O aprendizado do inglês atualmente depende da tecnologia
MITO.  A tecnologia é uma enorme apoiadora do aprendizado, mas há uma diferença entre usá-la para apoiar, e pensar que a tecnologia por si só gera o aprendizado.  O aprendizado ocorre “quando o aluno está interessado e presta atenção”, como diz a PhD Katharine Nielson.  E para isso acontecer, não é necessário tecnologia.  O aprendizado de um idioma pode se dar de pai para filho, de amigo para amigo, por exemplo.   Contudo, é inegável que atualmente  a tecnologia proporciona amplo acesso a conteúdos, atraindo o interesse e a atenção de grande parte dos estudantes da língua.  Mas assim como matricular-se em uma academia não gera resultados, ter acesso a conteúdos por causa da tecnologia também não contribui com seu aprendizado – a não ser que você tenha interesse, atenção, disciplina e regularidade de contato com o idioma.

2)Em pouco tempo, os professores de idiomas não serão mais necessários.
MITO.  Eu quase escrevi que essa é uma VERDADE, pois conheço algumas pessoas que estão aprendendo idiomas de graça, com conteúdos e interações pela internet, sem professor.   Mas também conheço centenas de pessoas que não conseguem manter o interesse, a atenção e a regularidade de estudo nem fazendo parte de um curso caro. Ainda precisam de um professor, de avaliações constantes, notas, uma certa pressão para estudarem.  Ou simplesmente gostam dessa interação professor/aluno (eu adoro!).  Muitos alunos também não sabem escolher conteúdo de qualidade na internet e se perdem no meio de tanta oferta.  O professor atua nestes casos como uma espécie de líder que motiva para o estudo e prática, e um curador de conteúdo.  Sem isso, não chegamos a lugar nenhum.  Isso sem contar que para ter um inglês fluente e com bom nível, precisamos interagir com pessoas com frequência (mesmo que virtualmente) e ter nossos erros corrigidos.   Então, a afirmação é VERDADEIRA apenas se as pessoas encontrarem, em pouco tempo, input de qualidade, prática frequente e interação autêntica;  e se estiverem sempre motivadas  a aprender com regularidade, sem a presença de um professor.

3) Podemos aprender a língua com menos obsessão pela gramática
VERDADE.  Podemos até aprender partes do que compõe um idioma, ao estudar a gramática.  Mas só conseguimos nos comunicar (falar e compreender) quando praticamos a língua através da leitura, da escrita e da fala.   (Chris Brumfit). Algumas escolas sistematizam o ensino pela gramática da língua (simple present, simple past, present perfect); mas poderiam fazer o mesmo através de funções (como cumprimentar, como negociar, como descrever uma cidade), ou situações (no restaurante, no posto de gasolina, em casa, no trabalho).  O importante aqui é que o aluno descubra que tipo de método, foco ou  ambientação é mais motivador para ele, e como ele vai praticar para dominar todas as habilidades da comunicação: fala, compreensão, escrita e leitura.

4) Não precisaremos mais aprender idiomas, é só usarmos um aplicativo ou software de tradução simultânea
DEPENDE. Já são bem populares o Google Translate (o app que tem mais idiomas), o Lexifone (ótimo para conversas ao telefone, em duas línguas diferentes), o Jibbigo Translator (tradutor vocal bom para viagens) , o Verbalizeit (útil para termos técnicos) . Alguns deles já são capazes de interpretar nuances da língua. No entanto, sabemos que em uma comunicação mais complexa, como uma reunião de negócios, a precisão no uso de estruturas, vocabulário e pronúncia são determinantes para o sucesso daquela interação, com agilidade, e, principalmente, sem mal entendido.  Isso as máquinas ainda não conseguem fazer, só o ser humano é capaz.  É claro que a inteligência artificial considera a capacidade de uma máquina aprender com os inputs diários, sem que seja necessária nova programação.  Então, as máquinas estão “aprendendo” todos os dias, ampliando sua capacidade de entender nuances dos idiomas.   Bill Gates dizia:  “Nós sempre superestimamos a mudança que vai ocorrer nos próximos dois anos, e subestimamos a mudança que vai ocorrer nos próximos dez.”

Então, pode ser  que a tecnologia caminhe rapidamente nesta direção e você nem precise mais dedicar tempo para  aprender inglês, pois será só usar um app para o que quiser.   Ou, pode ser que se arrependa por não ter aprendido esta língua e dependa dela para sobreviver em um mercado que se torna cada vez competitivo. Por via das dúvidas, use a tecnologia disponível hoje para aprender!

Fonte:  http://www.english.com/blog/elt-fact-or-fiction

 
Escrito por Rosangela Souza. Publicado em 22/06 na coluna semanal da Exame.com. Editado por Rosangela Souza para o blog da Companhia de Idiomas.  

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e da ProfCerto. Também é professora de técnicas de comunicação, gestão de pessoas e estratégia no curso de Pós-Graduação ADM da Fundação Getulio Vargas. 

 

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