Como atuo no segmento de idiomas para o mercado corporativo há mais de duas décadas, as pessoas costumam me fazer perguntas sobre viagens de intercâmbio.  Elas acreditam que posso dar um parecer mais isento sobre este assunto, uma vez que não tenho uma agência. Na vida pessoal, também tenho a experiência com uma filha no High School dos EUA e um sobrinho indo para a Austrália estudar inglês e trabalhar.  Geralmente recebo perguntas como:  “Qual o melhor momento para realizar um intercâmbio?”,   “Qual a idade ideal?”, “Qual o melhor país? “Que tipo de programa é mais vantajoso?” e “Como é o High School?”. 

Cada uma dessas perguntas daria um artigo e você até pode fazê-las nas agências. O problema é que nem sempre a agência consegue mapear as necessidades e expectativas das famílias ou do intercambista – como qualquer loja, eles dão orientações, mas precisam vender um programa para você, preferencialmente naquela primeira visita. E você, nem sempre tem instrumentos para fazer uma boa escolha. Resultado: pode desperdiçar parte da experiência por não comprar o programa certo, ou no momento certo. 
Há muitos tipos de viagens de intercâmbio. High School (Ensino Médio) particular,  High School público, curso de inglês (ou outro idioma), graduação (ou pós, mestrado etc), cursos específicos (gastronomia, fotografia etc) , curso e trabalho; e tantos outros. Neste primeiro artigo, quero deixar algumas perguntas para o intercambista e sua família responderem e decidirem se é o momento certo para a viagem internacional. Vamos lá! 
 
Motivação – o jovem precisa querer muito ir, especialmente se estivermos falando de um intercâmbio de seis ou 12 meses.  Este não pode ser um projeto só dos pais, tem de ser do filho. Até se for um programa de um mês é importante que o jovem compreenda que precisa aproveitar ao máximo. 
 
Condições Financeiras – uma coisa é certa, a família sempre gastará mais que o previsto. Então, é importante fazer um programa que não seja muito apertado para o orçamento familiar.  Fazer uma reserva para pagar o programa à vista e depois, mensalmente, apenas manter o intercambista nas despesas pessoais, é o ideal.
 
Preparo psicológico da família e do jovem – Os pais e o filho estão preparados para viverem distantes? Já há uma relação de confiança? Ainda é necessário um controle dos pais para tarefas, estudo, horários? O filho já sabe lidar com dinheiro, controla bem sua mesada, não gasta tudo na primeira semana? O filho sabe cuidar de si mesmo e tem tarefas domésticas?  Isso será fundamental no exterior e ele não pode deixar para  aprender lá. 
 
Se você sente que ainda é necessário um tempo para este preparo, então não antecipe a viagem. Aproveite para começar este treino e também para guardar dinheiro para o projeto. O jovem tem de ir sabendo falar inglês. Parece um paradoxo, mas só assim ele realmente irá aproveitar a experiência, falando com todos, criando elos com a família, fazendo amizades para a vida inteira. Se não tiver comunicação eficiente, vai ficar amigo do primeiro brasileiro fluente que encontrar e não vai praticar tanto o idioma.  
 

Isso acontece com frequência.  Também poderá ficar tímido (por não saber se expressar bem) e preferirá ficar no quarto, ao invés de, por exemplo, interagir ou participar de eventos promovidos pela escola.  É claro que depende da personalidade do intercambista, mas quanto mais fluência ele já tiver, mais vai aproveitar este momento para aperfeiçoamento do idioma e para o mais importante: conhecer, respeitar e criar laços com pessoas muito diferentes de nós.

Fonte: ClickCarreira e Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.
Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso.

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