A regra geral é que os alunos não são motivados a fazerem escolhas nas escolas: eles só seguem regras, procedimentos e a grade curricular. Sem praticar o ato de fazer escolhas, sentem-se confusos na hora de decidir o futuro profissional.

Até há informação sobre as profissões, as escolas levam profissionais (só os bem sucedidos) para falar de suas carreiras, mas pouco se trabalha o mais importante: o autoconhecimento.

Na universidade, aqueles que têm talento natural e amam a carreira escolhida são os que minimizam as deficiências do sistema de ensino, pois costumam ser os mais interessados.

O problema está naqueles alunos que estão lá apenas para terem uma graduação. Fazem o mínimo para não “pegar DP”, não exploram o conteúdo, pesquisam só o necessário, se comportam como alunos do ensino fundamental que querem “passar de ano” e esquecem que o objetivo deveria ser formar um excelente médico, engenheiro, administrador, professor.

Todos os anos, milhares de profissionais abaixo da média chegam ao mercado. Vemos isso em todas as áreas.

Formar um profissional significa formar uma pessoa. Além de considerar os talentos naturais e a vocação do indivíduo, é fundamental entender quais deficiências trazidas do ensino fundamental e médio são imprescindíveis para o exercício da profissão escolhida.

Parece óbvio, mas os alunos universitários não investem em minimizar suas deficiências ou potencializar suas forças.

Ninguém fala disso: se você está estudando administração, mas não gosta de lidar com pessoas, terá de desenvolver esta competência durante a faculdade, porque vai administrar pessoas no futuro, não tem como fugir.

Não é só uma questão de tirar nota na prova da disciplina Gestão de Pessoas.

Ao fazer uma contratação, o primeiro passo tem de ser verificar o conhecimento técnico, pois não adianta o candidato passar por todas as outras fases se não souber desempenhar a função com excelência.

Caso seja uma vaga de estagiário, trainee ou aprendiz, não se deve exigir experiência, mas também não se pode deixar de verificar os talentos naturais.

Um candidato pode até nunca ter trabalhado na área financeira, mas ele precisa ser testado em sua inteligência matemática, raciocínio lógico e habilidade com números.

Só que além das competências obrigatórias, há as desejáveis. E o profissional de recrutamento e seleção precisa entender o quanto a empresa poderá abrir mão das competências desejáveis, ou se está disposta a investir na formação de seus colaboradores.

Cada vez mais as exigências do mercado estão sendo ampliadas para alguns setores, e afrouxadas para outros.

É a lei da oferta e demanda. Por exemplo, se não há pedreiros em número suficiente para a construção civil, seria impossível exigir que todos eles tivessem ensino médio completo – esta indústria pararia.

Em uma área com muita oferta de mão de obra – administração, por exemplo, é possível filtrar com mais especificidade competências técnicas e comportamentais.

Quanto mais candidatos interessados na vaga, mais exigente o mercado pode ser. Os empregadores têm observado os estágios realizados durante a universidade, o conhecimento de idiomas, vivência internacional e trabalho voluntário.

Toda experiência diz muito sobre as escolhas que a pessoa está fazendo na vida, no seu tempo livre e sobre seus valores.

Um candidato da classe D que sabe inglês porque fez um curso gratuito e também faz um trabalho voluntário aos finais de semana mostra um pouco de seus objetivos e valores.

Investir na formação do profissional tem de ser uma ação constante e nem sempre requer alto investimento: promover workshops internos, valorizar – financeira ou emocionalmente – aqueles que contribuírem com seus pares, compartilhando conhecimento, são ações simples, aplicáveis a empresa de qualquer porte.

É necessário ter criatividade e vontade de capacitar e motivar o time.

A Companhia de Idiomas, por exemplo, oferece aos colaboradores sessões semanais de yoga e liang gong – um momento em que as pessoas param suas atividades para apenas respirar, meditar, alongar.

Também oferece curso de inglês e português, além de dois workshops diferentes por bimestre: um só para administração, e outro para administração e professores.

“Os workshops que conduzimos com a administração complementam um pouco o que não aprendemos com nossas famílias ou escola: educação financeira, gestão de tempo, comunicação corporativa, dar e receber feedback” , comenta a sócia-diretora, Rosangela Souza.

Investir no time não é antagônico à estratégia de crescimento e lucratividade.

Há estudos conduzidos pela Virginia University-USA que comprovam que o índice de clientes satisfeitos e fiéis em uma empresa está diretamente ligado ao índice de funcionários altamente motivados e preparados, além de vantagens como baixo turnover de talentos, equipe preparada para crescimento e substituições, integração do time, alto padrão de excelência e engajamento.

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Rosangela Souza é fundadora  e sócia-diretora das empresas Companhia de Idiomas e ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.  Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs.  Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso. 



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