Há alguns dias participei de uma palestra do professor Eugênio Ferrarezi, promovida pela revista Gestão RH, sobre como nossa mente pode nos sabotar, ou seja, como nós podemos sabotar o que “queremos” para nossa vida. Incrível como a neurociência começa a comprovar hoje o que muitos pesquisadores “alternativos” já sabiam. Em 20 anos dirigindo uma empresa, participei do sonho de muita gente. Alguns, conseguiram realizá-los, outros estão a caminho, e outros estão sempre recomeçando, sem entender porque “algo sempre acontece” , impedindo-os de realizar o que planejaram. Eugênio cita uma pesquisa da Catho que mostra que, de 16.207 executivos demitidos em um determinado período, 22% o foram por incompetência técnica, ou seja, não estavam realizando bem as suas funções. E 66% foram demitidos por questões comportamentais . Ego maior que a empresa, falta de ética, problemas de relacionamento com seus pares e líderes, inveja e competição excessiva são apenas algumas razões. Um dia preciso escrever sobre isso!

[CORTAR]Mas hoje quero escrever sobre aqueles que conseguem o que querem. O que eles têm em comum? O que os melhores professores da Companhia de Idiomas têm em comum? O que os melhores alunos fazem que os outros não fazem? E profissionais da administração de uma empresa? Como é que garçons de uma grande rede de restaurantes, nossos clientes, conseguem excelentes resultados em seus cursos de idiomas, quando alguns alunos executivos de outras empresas têm progressos lentos?

Não há uma receita, até porque são pessoas muito diferentes entre si, com estilos e comportamentos até antagônicos. E isso é ótimo, pois não precisamos nos “enquadrar” a nenhum padrão – podemos respeitar a nossa essência. Mas eles nos ajudam a refletir sobre o que realmente estamos fazendo com a nossa vida. Alguns têm desculpas para não conseguir, outros encontram meios. É claro que o assunto daria alguns livros, mas, para começar, percebo três características em todos esses profissionais com os quais convivi e convivo, testemunhando sucesso.

Disciplina – começar algo e terminar, planejar, organizar bem o tempo e as tarefas do dia, fazer todos os dias algo cujo resultado será só “a longo prazo”… Disciplina, para mim, é escolher fazer algo que nem sempre é agradável , mas cujo resultado você realmente quer. Sair da internet e fazer uma atividade física, diminuir o tempo da atividade física e ligar para a mãe, ou para aquela tia. Desligar a TV e ler um livro. Ou fechar o livro e brincar com seu filho. Ou deixar um pouco o filho e namorar mais. Acho que não há certo ou errado, há escolhas e consequências. A disciplina ajuda a escolher não só o que gostamos mais de fazer. Pense na razão pela qual você não realiza o que planeja. Está se sabotando ou precisa de mais disciplina?

Paixão – professores que preparam suas aulas com paixão, alunos que estudam no trânsito, funcionários que fazem “um pouco a mais” em momentos críticos, professores que compartilham suas aulas e experiências com outros. Ir fundo, não ficar na superfície, observando e criticando, como se criticar fosse sinal de inteligência. Pensar em soluções é. Os apaixonados realizam, apesar das condições desfavoráveis. Os medíocres não realizam, apesar das oportunidades que têm. Quando estamos apaixonados, queremos fazer o bem àquela pessoa, ajudar, temos boa vontade constante, queremos fazê-la feliz. Acho que precisamos nos apaixonar mais pelas nossas carreiras, e por nós mesmos! Se você está há muito tempo anestesiado, sem vontade de fazer algo melhor do que já fez, é hora de repensar se não está no lugar errado. Tenho uma professora no MBA ds FGV, Paulette Alberis Alves de Melo, que diz que todos temos muitos talentos. Só falta encontrar o lugar certo para exercê-los. Se você não está exercendo-os, encontre seu lugar.

Coragem – medo de se posicionar e não ser amado, medo de dizer algo desagradável e… não ser amado, medo de se expor e não ser perfeito, medo de , medo de. Goethe já dizia que quando seu talento encontra a sua coragem, o universo conspira a favor. Essa mesma professora que citei, a Paulette, diz: “vá na direção do seu medo”. Tem medo de aprender um idioma, ser promovido, ganhar dinheiro e se perder depois? Medo de ser o melhor professor de uma escola? Medo de se destacar e depois não “atender as expectativas”? Esse medo pode não ser conhecido por você, mas seu comportamento pode denunciá-lo.

E como descobrir um pouco mais de tudo o que está dentro de nós? Desligue tudo (agora leva mais tempo, pois há tantos aparelhinhos…) , todo dia um pouquinho, busque o silêncio, e pense sobre você (não é sobre o que vai fazer no dia seguinte, ou sobre alguém: é sobre você) – o que faz, o que acredita, o que quer de verdade) . Para simplesmente parar tudo , é também preciso disciplina, paixão e coragem!

Rosangela F. Souza (Rose) é sócia-diretora da Companhia de Idiomas há 20 anos e especialista em Gestão Empresarial pela FGV – MBA.

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