Método mais tradicional de ensino ainda é o favorito

33% dos graduados defendem o intercâmbio como melhor método de aprender; é o índice mais alto de aprovação desse método; 64% da população de 16 a 25 anos afirma que o método mais tradicional, a escola de idiomas, é também o mais eficiente.

Apressados têm aulas durante o trânsito. Esportistas aproveitam a corrida para treinar com o professor e "personal trainer". Baladeiros têm à disposição pubs com inglês no cardápio, e mesmo quem adora ficar "pendurado" ao telefone pode dar a desculpa de estar estudando novos idiomas.

Hoje não é preciso mais sentar em frente à lousa para aprender outra língua. Empenhadas em cativar todos os tipos de público, as escolas diversificaram suas fórmulas de aprendizado. Ainda assim, a tríade professor-lousa-classe tem a maior credibilidade entre os paulistanos entrevistados pelo Datafolha (é defendida por 59% deles), bem à frente da segunda opção, o intercâmbio (13%).

Os especialistas no ensino de idiomas concordam em que a aula presencial ainda é o melhor caminho. Para Sui Wong Martello, sócia da English Consult, consultoria de idiomas que ajuda a montar programas em empresas, não há como dispensar a presença do professor, "principalmente para o brasileiro". "O latino em geral sente necessidade de cobrança, já os asiáticos são mais disciplinados e estudam sozinhos." Mas antes de escolher o curso é preciso atentar ao método de ensino, como explica Lauro Gisto Xavier, diretor pedagógico da rede Skill. Ele acrescenta que recursos e equipamentos são só complementos da sala, pois o que conta mesmo é o conteúdo. "Hoje a aula presencial deve aproximar-se do dia-a-dia do aluno com exercícios aplicáveis ao trabalho. E também só a aula não adianta, tem de procurar outras formas de complementar, tem de estudar."

Já a decisão sobre cursar aulas particulares ou em grupo deve ser precedida de outro raciocínio: se houver um interesse específico, o melhor é personalizar o aprendizado com aulas particulares. "Já para níveis iniciais, indicamos aulas em grupo, pois cada vez que o aluno fala com alguém diferente há novas informações para ele absorver", afirma Adriana Lila Albertal, uma das diretoras da rede de franquias Seven Idiomas.

Fora da sala
Sem tempo para assistir às aulas, praticar inglês enquanto malha foi a opção da microempresária Maria José Brandão. Ela corre no parque Ibirapuera acompanhada do professor. "Meu tempo é curto, e assim o aproveito melhor. Acho que estou aprendendo tanto como numa classe", afirma.

O curso é oferecido pela It's Holding e custa de R$ 360 a R$ 450 por mês, o que dá direito a duas ou três "corridas" semanais. Pelo mesmo preço a escola oferece aulas durante o trânsito. "O professor pega uma carona com o aluno no trajeto do trabalho até a casa", conta Carla Zindel, sócia e diretora da escola.

Aulas por telefone, e-mail ou on-line são a proposta da Companhia de Idiomas. Cada ligação ou e-mail de aula custa R$ 30.

Vários em um
Apesar de não dispensar a presença do professor, a consultora Sui Wong Martello defende que o melhor sistema de aprendizado é o misto. "Indicamos a mistura de presencial, on-line e telefone."

Esse modelo foi adotado pela Unilever. Carlos José Marcelino, 37, analista de processos de negócios da empresa, faz o curso e conta que já tentou aprender pelo método tradicional, mas não deu certo. "Aula em grupo ou individual, com aquele livro de sempre, sem atividades, é maçante."

Viajar para fora do país pode ser uma forma eficiente de aprender, desde que o candidato tome alguns cuidados. Atenção ao contrato com a operadora e pesquisa sobre a escola são as primeiras dicas. Outras possibilidades são conversar com ex-alunos e fugir de brasileiros lá fora.

"Também não adianta ir e não conversar com ninguém. Tem de participar de atividades, conhecer gente do país", aconselha Andrea Pinotti, 36, gerente de marketing da Central de Intercâmbio.


Folha de São Paulo

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