Inglês vira "obrigação", e só terceira língua dá destaque

Saber um terceiro idioma é considerado um diferencial; mandarim começa a ganhar adeptos.

19% das mulheres acham o italiano a quarta língua mais importante no mercado, superando o alemão.

Não adianta. O inglês ainda é - e deve continuar sendo - o titular do posto de idioma mais importante do mercado de trabalho. Pelo menos pelos próximos anos. Quem afirma é o próprio mercado, e a pesquisa Datafolha corrobora: 96% dos entrevistados pertencentes à PEA (População Economicamente Ativa) acham importante que um profissional domine a língua.

"O inglês ainda é o campeão, mas o espanhol, impulsionado pelo Mercosul, deve alcançá-lo em dois ou três anos", avalia Sofia do Amaral, sócia da consultoria DM Recursos Humanos.

"Nunca vi cliente exigir espanhol, alemão. Francês sim, mas é muito raro. O inglês ainda é o campeão disparado", diz Rodrigo Forte, da Michael Page.

No Senac o idioma anglo-saxão é responsável por 75% da demanda por línguas. "É o idioma mais utilizado no mundo dos negócios", justifica Roland Zottele, gerente corporativo.
Mesmo em empresas cujo país de origem adota outra língua, o inglês prevalece. Na Volkswagen, por exemplo, o inglês impera, apesar da origem alemã da montadora. Os funcionários podem obter subsídio para estudar tanto uma como a outra língua, mas é a minoria que opta pelo alemão, conta Raimundo Ramos, gerente executivo de treinamento e desenvolvimento de RH. "O alemão é um diferencial. Quem fala estabelece um 'networking' maior." Já o espanhol é considerado um "plus", principalmente nas redes que atuam na América Latina.

Mandarim
Para quem tem negócios com a China, a novidade é o interesse das escolas pelo mandarim, língua oficial do país asiático, cada vez mais presente nas pautas comerciais internacionais.

"Estamos nos associando à Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China", conta Daniel Bonatti, da Excellent Global. E ele não é o único. "Sinto que está na hora de investir no mandarim, pelo futuro dos negócios no mundo", diz Rosângela de Fátima Souza, sócia-diretora da Companhia de Idiomas.

Na escola It's Holding, o mandarim já é realidade há dois anos. A demanda de um cliente - um banqueiro - motivou a criação do curso, conta a sócia-diretora da escola, Carla Zindel.

O número de alunos cresceu para 12 e, no mês passado, quando o presidente chinês visitou o Brasil, a escola foi procurada por 128 interessados no idioma e montou 15 turmas para janeiro de 2005. Por causa da dificuldade em encontrar professores, no entanto, o curso é caro: na It's Holding, o preço varia de R$ 1.800 a R$ 2.000/mês.


Folha de São Paulo

Voltar