Existem inúmeras ferramentas tecnológicas para aprender um idioma estrangeiro, mas o segredo é entender como nosso cérebro funciona, porque se ele estiver no comando, cairemos nas seguintes armadilhas:

 

1. Não dormir o suficiente

O sono faz com que as sinapses sejam mais fortes, ou seja, nossa capacidade de fazer relações do que estamos aprendendo fica mais aguçada. Uma boa noite de sono também limpa as toxinas instaladas no cérebro. Se não tivermos uma boa noite de sono antes de uma entrevista, apresentação ou reunião importante, o resultado poderá ser bastante prejudicado.

 

2. Leitura passiva e releitura

Temos de exercitar o cérebro e praticar a recordação ativa, ter o hábito de relembrar informações e não apenas deixar os olhos passarem pelo conteúdo. Quando não estamos presentes em uma leitura, os pensamentos nos invadem e somos capazes de ler várias páginas sem registro algum das informações contidas no texto.

 

3. Realce ou sublinhado

Não podemos nos enganar! Apenas destacar ou sublinhar grandes blocos de texto não promove a retenção, não coloca nada em nossa cabeça. Precisamos fazer breves notas, na margem ou onde desejarmos, sobre os principais conceitos que estamos lendo e nossas reflexões sobre o tema. Essas anotações nos ajudam a criar um conjunto de links cerebrais dos principais conceitos. Além disso, podemos voltar ao texto, usando as anotações simultaneamente. Essa postura incrementa o aprendizado.

 

4. Empurrar com a barriga

O estudo de última hora não cria sinapses consistentes. É preciso estudar regularmente. Muito melhor estudar por quinze minutos todos os dias do que estudar por 3 horas em um único dia antes da avaliação ou um teste de proficiência. Se quiser entender mais sobre isso, leia o artigo que escrevi sobre o método pomodoro clicando aqui.

Em aprendizado de idioma estrangeiro, não é sobre notas e resultados pontuais. O processo é cumulativo e as estruturas gramaticais e vocabulário precisam ser automatizados para atingirmos o objetivo de fluência.

 

5. Aprendizagem preguiçosa

Não devemos estudar apenas com material fácil. É como aprender a jogar basquete, temos de nos concentrar nos dribles. É necessária a prática deliberada – concentrarmos no que achamos mais difícil.

Se compreensão oral for o nosso ponto fraco, teremos de encará-la. No entanto, não precisa ser algo sofrido, há vários recursos e atividades muito interessantes que tornam o estudo um momento mais leve.

 

6. Não esclarecer dúvidas

Há apenas alguns pontos não compreendidos? Como disse acima, todo conteúdo visto em um curso de idiomas é relevante e será crucial quando tivermos de nos comunicar na língua.

Temos de solucionar nossas dúvidas imediatamente, em especial as gramaticais. Não temos como carregá-las para os estágios seguintes. Há pessoas que estão no nível intermediário e, basicamente, só se comunicam utilizando o presente simples como tempo verbal.

 

7. Distrações

O local de estudo tem de ser aquele no qual consigamos nos manter concentrados. Nosso cérebro não é multitarefa, sempre haverá perdas. Durante o estudo, melhor deixar o celular no modo avião, desligado ou fora do nosso alcance.

O celular é paradoxal, pois é nosso salvador e vilão ao mesmo tempo. Temos de saber usá-lo a nosso favor.

 

8. Conversar com amigos em vez de estudar com eles

Bons grupos de estudo podem ser uma ótima maneira de nos ajudar a aprender. Porém, há diferença entre “grupos de estudo” e grupos de amigos. A armadilha é ficar batendo papo em vez de estudar ou estabelecer um foco no bate-papo, como todos tomarem nota dos erros que ouvem e, ao final, o grupo revisar as anotações e buscar corrigir esses erros.

 

Escrito por Lígia Velozo Crispino e publicado na coluna semanal de inglês da Revista Exame. Editado para o blog da Companhia de Idiomas.

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