Sabemos que muitos dos leitores da nossa coluna na Exame acompanham séries no Netflix. Vários deles buscam nos sites em inglês informações sobre novas temporadas, cancelamentos ou curiosidades sobre suas séries preferidas, já que esta também é uma forma bem divertida de aprender inglês: explorando temas de interesse pessoal.

Elaborei neste artigo uma pequena lista de termos encontrados nestes sites. Ela pode ser útil também para quem não gosta de séries, pois algumas palavras são usadas em outros contextos, inclusive em negócios!
 
Spin­off
No mundo dos negócios, spin­off descreve uma nova empresa, que nasceu graças a um grupo de pesquisa de uma outra empresa (spin-off corporativa) ou por causa de um grupo de pesquisa de uma universidade (spin­off acadêmica).    E no universo das séries? Spin­off define uma série que é derivada de outra. O objetivo é de destacar um personagem da série anterior, ou de contar a origem daquela estória. Fear the Walking Dead, por exemplo, conta a origem da série The Walking Dead.  Neste caso é um Prequel Spin­Off, pois conta a estória do que aconteceu antes da série­mãe. Quem se lembra de Joey, uma série que tentou explorar o personagem de  Friends? Não durou muito, mas era um Sequel Spin­Off, pois contava a estória do que aconteceu depois da série­mãe, mesmo que com o foco em um personagem.
 
Crossover
Da Eletrônica à Biologia, você vai encontrar várias definições de crossover, geralmente designando algo que se mistura.   Na literatura, Jô Soares fez crossover em O Xangô de Baker Street, quando juntou na mesma estória Sherlock Homes e Jack, o Estripador.  Então, um crossover ficcional ocorre quando dois ou mais personagens de diferentes estórias e universos interagem em uma outra estória.  No mundo das séries isso já aconteceu. Personagens de Bones e Sleepy Hollow se encontraram em um episódio especial, que começou em Bones e terminou em Sleepy Hollow.
 
Cliff­hanger
Cliff significa “penhasco, precipício”. To hang pode ser “pendurar”. Hanger, cabide ou aquilo que segura. Imaginou a cena?  Cliff­hanger é aquele suspense criado no final de um episódio, ou o gancho, que corta a estória em um momento crítico, motivando você a assistir o próximo episódio.
 
Plot Twist
Plot quer dizer enredo. Twist quer dizer guinada, mudança repentina, volta.  Um Plot Twist  pode ser uma grande mudança na estória, geralmente com aquele único evento muito importante que muda tudo.
 
Pilot
Esta é fácil:  o Episódio Piloto. Mas nem sempre o pilot é o primeiro episódio que você assiste.  O pilot é como se fosse uma demo. Ele é produzido para vender a série a canais de TV. Pode ter até um resumo da primeira parte da estória.
 
Hiatus
Hiatus pode ser uma interrupção (“After a 5­year hiatus from writing, he’s back.”). No contexto das séries, é aquela pausa de algumas semanas para descanso dos atores e produtores, mas não é necessariamente o fim da temporada.
 
Fall Season
Fall aqui significa Outono.  É a esperada Temporada de Outono, ou a alta temporada, em setembro (Outono Americano).  Fall Season é o período em que a maioria das novas séries ou novas temporadas são iniciadas, para alegria dos fãs!
 
Spoiler
Este termo está ficando super comum, ainda mais depois do vídeo imperdível do Marcelo Adnet, Lord of the Ends. To spoil é estragar, mimar. Você pode “spoil a dish putting too much salt” ou “spoil a child”.   Spoiler é o cara que estraga o seu prazer de assistir algo até o fim, porque ele conta o fim para você.
E aí?  Aprendeu alguns termos? Agora é hora de usá­los. A melhor maneira de aprender é ensinando, então anote os mais interessantes para você e ensine alguém!
 
Escrito por Rose Souza. Publicado em 02.02 na coluna semanal da Exame.com. Editado por Rose Souza para o blog da Companhia de Idiomas em 25.01 

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e da ProfCerto. Também é professora de técnicas de comunicação, gestão de pessoas e estratégia no curso de Pós-Graduação ADM da Fundação Getulio Vargas. 

E se você quer se aprofundar neste assunto, fale com a gente. A Companhia de Idiomas tem professores que vão até a sua casa ou empresa. Fale com: roselicampos@companhiadeidiomas.com.br
 
 
Se você mora no Brasil e gosta de aprender gírias em inglês, pode aprender muito com séries de TV, sobre as quais já escrevemos, e também nas redes sociais! Na maioria delas, usamos uma linguagem mais informal, descomprometida com certas regras gramaticais.  Alguns abusam das gírias.  
 

 
Os linguistas e os amantes da norma culta não gostam muito, é compreensível. Mas a língua é viva e se você quer apenas se comunicar com as pessoas, é sempre bom conhecer, aprender e usar se quiser.  Fiz uma pesquisa nas redes por cinco minutos para escrever este artigo e já encontrei rapidinho algumas gírias, que compartilho com vocês hoje.

1) Basic
Como muitas gírias em português, a palavra é conhecida por um outro significado. Como gíria, geralmente usamos com significado e em contextos totalmente diferentes.  Basic é um adjetivo que está sendo usado para definir aquela pessoa que adora tudo o que é comercial, popular, mainstream (para usar outra palavra em inglês).  É um termo levemente pejorativo, falado por alguém que acha que a pessoa “basic” deveria ter alguns gostos um pouco mais refinados, cultos ou diferentes da grande maioria.   Olhando depois no Urban Dictionary (http://pt.urbandictionary.com) , achei todos os exemplos bem arrogantes, então, cuidado se for usar!   “I tried to get to know him, but after I spent 10 minutes with him, I realized he was too basic for me to waste time on.”
 
2) Bae
Quando começaram a usar, era um acrônimo (B.A.E.) que significava “Before Anyone Else”, ou “Antes de Todo Mundo”.  Como ser assim parece ser bom para algumas pessoas, o termo acabou significando “baby” ou “sweetie” (ou uma palavra para chamar alguém querido). Em Português também fazemos isso: usamos palavras positivas (mas que não teriam nada a ver!) para chamar pessoas queridas. Quem nunca foi chamada/o de “flor”, “princesa”, “bebê”, “docinho”?  Também é um jeito super informal de designar um namorado ou ficante.   “Brian, my bae.”
 
3) Hella
Quer dizer “muito”, “super”. Virou um advérbio de intensidade.   “It ́s hella expensive travelling to Europe now.”  Ou “It ́s hella hot outside today.” 
 
4) To Ship
Eu já ouvi “shipar” por aí, talvez você também já tenha ouvido. É um verbo que significa apoiar a relação de um casal, mesmo que não seja uma relação real. É usado para dizer que você torce para que aqueles dois (ou aquelas duas) fiquem juntos/juntas! Começou em conversas entre fãs, que formavam casais fictícios entre celebridades. Agora é usado para falar de duas pessoas que você torce para que virem um casal.  Você pode dizer: “I totally ship Anna and Mark.”
 
5) Squad goals
Literalmente,  significa “objetivos da galera/do grupo de amigos”.   Mas posso explicar:  quando você quer muito que seu grupo de amigos faça algo tão legal quanto um outro grupo. Exemplo: seu grupo de amigos nunca chega no horário combinado.  Mas você conhece um grupo que é super pontual.  Este grupo seria um “squad goal”.   “They have a group Halloween costume? Squad goals!”
 
6) Yas
Usado para expressar uma super aprovação.  Acho que é nosso “Aêêêê!”. Provavelmente veio do “Yes”, usado para comemorar conquistas.  “Yas Meghan, you look amazing!”   “I just completed the 3rd level in that game. Yas! “ ! Fonte para encontrar as palavras:  Twitter, Instagram, Snapchat. Fonte para definições: http://pt.urbandictionary.com
 
Escrito por Rose Souza. Publicado em 19.01 na coluna semanal da Exame.com. Editado por Rose Souza para o blog da Companhia de Idiomas em 25.01 

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e da ProfCerto. Também é professora de técnicas de comunicação, gestão de pessoas e estratégia no curso de Pós-Graduação ADM da Fundação Getulio Vargas. 

E se você quer se aprofundar neste assunto, fale com a gente. A Companhia de Idiomas tem professores que vão até a sua casa ou empresa. Fale com: roselicampos@companhiadeidiomas.com.br
 
Assim como no português, o inglês tem muitas palavras que são facilmente confundidas. Vamos estudar as palavras que selecionei abaixo e depois praticar?  

  

costume = clothing, typical style of clothes (roupa, fantasia, vestuário)
custom = a practice that is traditionally followed by a particular group of people (costume)
Customs = Duties or taxes imposed on imported and, less commonly, exported goods. The governmental agency authorized to collect these duties. (Alfândega; impostos e taxas sobre importações) 


dessert = the final course of a meal, usually something sweet (sobremesa)
desert = a hot, dry place (deserto)
 
latter = last of two things mentioned (o/ a último/ a de dois)
later = a time in the future or following a previous action (mais tarde)
 
loose = opposite of tight (solto, frouxo, largo)
lose = to be unable to find something (perder algo que se possui)
 
advise = (verb) act of giving an opinion, counsel (aconselhar)
advice = (noun) opinion given to someone, counseling (conselho)
 
considerable = rather large amount or degree (considerável) 
considerate = thoughtful, polite (educado, atencioso)
 
hard = difficult (difícil, duro)
hardly = (adverb) barely, scarcely (mal)
 
Agora é a vez de ver se você entendeu a diferença entre essas palavras. Preencha as lacunas abaixo com as palavas acima. No caso dos verbos, certifique-se da conjugação correta. Há uma palavra para cada frase:
 
1. It is difficult to survive in the __________ without water.
2. We had an apple pie for ____________ last night.
3. We all decided to wear ____________ to celebrate Carnival.
4. It is the _________ for the bride to wear a White dress on her wedding day.
5. It took us a long time to clear __________at the border.
6. We went to the movies and ________ we had dinner at a fancy restaurant.
7. Germany and England both developed dirigibles to be used during World War II, the ________ primarily for coastal recognition.
8. After being on a diet, she found that her clothes had become so _______ that she had to buy new ones.
9. Don’t _______ your mind. Everything will be all right!
10. If you follow her _____________, you will succeed.
11. The Congress ______________ the president against signing the Treaty last week.
12. She has to make a __________ decision whether to stay or leave her job.
13. He could _________ believe what was happening to him.
14. It was very __________ of you to wait for me.
15. Even though she had _____________ experience in the area, she was not hired for the job.
 
Confira as respostas apenas depois de ter tentado realizar todo o exercício. Combinado?
 
1. It is difficult to survive in the desert without water.
2. We had an apple pie for dessert last night.
3. We all decided to wear costumes to celebrate Carnival.
4. It is the custom for the bride to wear a White dress on her wedding day.
5. It took us a long time to clear customs at the border.
6. We went to the movies and later we had dinner at a fancy restaurant.
7. Germany and England both developed dirigibles to be used during World War II, the latter primarily for coastal recognition.
8. After being on a diet, she found that her clothes had become so loose that she had to buy new ones.
9. Don’t lose your mind. Everything will be all right!
10. If you follow her advice, you will succeed.
11. The Congress advised the president against signing the Treaty.
12. She has to make a hard decision whether to stay or leave her job.
13. He could hardly believe what was happening to him.
14. It was very considerate of you to wait for me.
15. Even though she had considerable experience in the area, she was not hired for the job.
 
Escrito por Lígia Crispino. Publicado em 10.02 na coluna semanal da Exame.com. Editado por Lígia Crispino para o blog da Companhia de Idiomas
 
Lígia Velozo Crispino, fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução pela Unibero. Curso de Business English em Boston pela ELC. Coautora do Guia Corporativo Política de Treinamento para RHs e autora do livro de poemas Fora da Linha. Colunista dos portais RH.com, Vagas Profissões e Revista da Cultura. Organizadora do Sarau Conversar na Livraria Cultura.
 
E se você quer se aprofundar neste assunto, fale com a gente. A Companhia de Idiomas tem professores que vão até a sua casa ou empresa. Fale com: roselicampos@companhiadeidiomas.com.br 

Estamos em janeiro, e este é o primeiro artigo de 2016 para esta coluna no Carreira e Sucesso da Catho.  Talvez seja um bom momento para pensarmos sobre o tempo.  Muita gente nesta época fala ou ouve a frase:  “Nossa, como este ano passou rápido!”


Também ouvimos outras frases que, de tão comuns, já nem damos importância mais:  “Estamos aí, na correria”  “Fiz assim, porque foi na correria.”  “Nem me lembrei, nesta correria.”

Ou qualquer frase com a palavra “correria”.  “Não fiz porque não deu tempo”. “Parei porque estou sem tempo”. “Queria muito, mas nem comecei ainda por falta de tempo”.   Ou qualquer frase com o sentido de “não tenho tempo”.

No fundo, muitos de nós achamos que dá até um certo status falar que se é ocupado, que está uma loucura etc.  O contrário, dizer que tem tempo para fazer o que se quer, que não está na correria permanentemente, que é dono do próprio tempo, parece coisa de gente acomodada, que não está “correndo atrás”, que não pensa grande. 

Ah, pensar grande!  Vemos tanta gente que, pensando grande, foi aos poucos abrindo mão de seus valores para alcançar esta tal sensação de grandiosidade.  Tantos que, correndo atrás sem freios, atropelaram amores, saúde, relacionamentos bacanas, projetos que não atendiam a exigência do conquistar “mais dinheiro/mais poder”.  Tudo que ouço dos que trilharam este caminho é que não valeu a pena.  Legal, casa bacana, chegou à presidência da empresa e tal. Mas o que perdeu pelo caminho era muito mais valioso.  Como ajudar quem está nesta trilha a repensar?

Cada um pensa como quiser: grande, pequeno, médio. Só acho que há coisas mais importantes do que o “pensar grande” tão apregoado pela mídia.  Ter ética sempre, ser senhor e não escravo do tempo e da agenda, ser feliz com as escolhas na maior parte do tempo.  Tudo isso tem de estar acima do “pensar grande” e não nortear nossa vida. Quantas pessoas foram perdendo ética, são hoje escravos das escolhas dos outros, e estão profundamente infelizes.

Ou será que não temos tempo porque nos perdemos com tudo o que a tecnologia nos colocou à disposição?  Por encantamento, afinal tem coisa muito muito legal por aí.  Por ingenuidade, porque não conseguimos perceber o quanto vamos nos tornando dependentes.  Por pressão dos grupos, porque é mesmo difícil dizer que você não usa determinada rede social, não vê importância em relatar tudo da sua vida pessoal ou não assiste aos vídeos nos grupos de whatsapp.   Mas tudo isso é um pouco libertador.

Será que estamos deixando de fazer o que mais importa, o que sabemos que queremos, sabemos que precisamos, por nos ocupar demais pensando grande, ou por nos ocupar demais com excesso de facebook, whatsapp, instagram, snapchat, netflix, spotify e tanta coisa sensacional que surgiu, e que nos deixou assim, meio escravizados, porque ainda não descobrimos que nós podemos equilibrar tudo isso, e fazer escolhas?

Recentemente dei um treinamento para funcionários da Companhia de Idiomas, sobre Gestão do Dinheiro e do Tempo.    Muitos esperavam dicas, mas já sabemos que isso resolve bem por uma semana, depois voltamos a fazer o que sempre fizemos.

O que pode ajudar, então?

O Steven Covey, autor de livros como O Oitavo Hábito, diz que todos temos de, todos os anos, definir quais são nossas pedras grandes. Explico.  Imagine que sua vida é um vaso, e que você tem de colocar pedras grandes e também pedrinhas.  Se começar a encher o vaso colocando as pedrinhas, provavelmente não conseguirá colocar as pedras grandes depois. Mas se começar colocando as pedras grandes, depois você despeja as pedrinhas e, de algum jeito, elas ocupam os espaços entre as pedras grandes, otimizando o espaço.   Mas o que isso tem a ver com Gestão do Tempo?

Hoje vemos horas, dias, anos, vidas desperdiçadas com excesso de pedrinhas. Ou seja, com coisas irrelevantes. Coisas que no início até são prazerosas, mas vão virando hábito, ou até vício, e, como todo hábito e vício, o prazer acaba e fica só a dependência.  Tudo isso nos entorpece, como droga mesmo.  Dar uma olhadinha toda hora nos novos posts;  ver só mais algumas novas mensagens; assistir a mais um episódio, depois dos dez que você já viu, daquela série legal; não conseguir fazer mais nada bacana sem postar.   Está tudo tão fácil, tão acessível, que, sem nos darmos conta, nos deixamos dominar. Alguns ficam horas à noite, outros diluem o hábito em muitos minutinhos por dia.    Essas são as pedrinhas que colocamos no vaso.  Um pouco de pedrinha todo dia é ótimo. Mas o vaso só tem um tamanho, medido em horas:  24.  

As pedras grandes são as coisas mais importantes da vida, e esta é uma escolha pessoal.  Para a minha, que pode ser diferente da sua, algumas pedras grandes são inegociáveis, como uma hora para a saúde física e mental, alguns minutos para saber o que acontece no mundo, outros para estudar (mesmo que você não esteja na escola, não tenha provas, apenas para aprender algo, sabe?).  Dedicar‐se à família e/ou ao seu amor, convivendo, batendo papo sem aparelhinhos por perto, falando de você, interessando‐se pelo outro.   Tudo isso pode ser pedra grande, e tenho a impressão de que aquela velha desculpa de que não se tem tempo se aplica mais para as grandes!

No próximo mês, vou continuar o tema, ajudando você a refletir sobre como escolher as pedras grandes, aquelas nas quais deveríamos destinar um tempo sagrado em nossos dias na Terra.

 

Feliz 2016!

Escrito por Rosangela Souza. Publicado em 27 de janeiro de 2016 no Portal Carreira & Sucesso. Editado por Rosangela Souza para o site da Companhia de Idiomas – Artigos de Gestão.


Colunista: Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso, RH.com e Exame.com.   Professora de Técnicas de Comunicação, Gestão de Pessoas e Estratégia na pós graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.



Não sei se leu recentemente sobre o Mathias Dunker, um garoto de 19 anos. Em princípio, nada muito especial: ele namora, trabalha, toca vários instrumentos, tem amigos. Só que ele também foi o primeiro aluno da cidade de São Paulo (a cidade em que eu moro, cheia de distrações) a tirar nota máxima no Enem, em Matemática. Este foi o primeiro ano que isso aconteceu, em 17 anos da prova.


Como sou mãe, professora em pós graduação e líder, fico sempre me perguntando quais os fatores que levam a resultados assim. Ele é nerd? Tem vida além do estudo? Que tipo de família tem?

As respostas podem nos inspirar a começar o ano refletindo sobre nossas carreiras, nosso papel nas organizações e nossas vidas.

 

1. "O jovem pertence a uma família que valoriza muito o conhecimento".

Já sabemos que pais que têm prazer de aprender, que conversam sobre suas percepções do mundo, que pesquisam juntos "onde fica o Irã", têm filhos mais curiosos. Filhos que não relacionam o aprender ao ambiente da escola, com professor, ou com prova no dia seguinte. Relacionam com descoberta e prazer. Não ter aquele discurso para os filhos, dizendo que se não estudar vai acabar como não sei quem. É sobre ser exemplo, sobre como preenchemos o nosso tempo (de pais), todo dia.  Porque assim, quando viramos adultos profissionais, é um prazer aprender algo novo.

 

2. "O Mathias nunca teve pressão para ser o melhor da classe".

As redes sociais recebem a cada segundo milhares de registros dos nossos melhores momentos e dissemina para nossos "amigos", fazendo-os se sentir frustrados por não terem vivido coisas igualmente bacanas naquele dia.  Aí eles fazem o mesmo, justamente no feriado que você está sem dinheiro e o máximo de diversão permitida é Netflix.  Ao fazer e mostrar, estamos criando a competição – a sensação de ser melhor ou pior, sempre comparando. E ao fazer PARA mostrar, aí a alma já está sendo corrompida. Comparamos e competimos o tempo todo nas organizações, nas famílias, na sociedade. Precisamos que nossa mente compreenda que nortear nossa vida por competição para nos sentirmos melhores que os outros nas pequenas e nas grandes coisas pode não ser o único caminho da felicidade. Querer ser o melhor parece algo bom, porque nos motiva para a disciplina, para não nos desviarmos para um caminho ruim, da autodestruição. Mas chega um ponto em que nos viciamos em relativizar tudo o que fazemos – e aí nos perdemos. Fazemos o curso só para que o nosso gerente veja nosso esforço – mesmo que, durante as aulas, façamos outra coisa e nem prestemos muita atenção. Entre amigos, nosso tema preferido é o quanto somos bons e/ou o quanto todas as outras pessoas do mundo não são?  Esse vício impede a nossa capacidade de termos prazer em contribuir sem levarmos os créditos, de só colaborar. Como podemos ajudar alguém se queremos ser melhores que ele? Competir com você mesmo, ser um pouco melhor a cada dia e, às vezes, só curtir a pessoa que você já é, o pouco ou o muito que conquistou, parece ser um caminho mais perto da felicidade. A vontade de ser melhor que os outros ou ter mais que os outros é um enorme obstáculo neste caminho, pois nos deixa arrogantes (quando somos e temos) ou inseguros (quando não). Arrogância e insegurança são os principais motivos pelos quais pessoas são demitidas nas empresas. Principais razões da infelicidade humana.

 

3. "Sofri bullying por ser inteligente e dedicado".

Sofrem um pouco todo dia aqueles profissionais que de fato gostam dos seus líderes, que elegem mentores formais ou informais, que se aproximam de presidentes com a mesma naturalidade e curiosidade que se aproximam de faxineiros e de porteiros. São tidas como "esquisitas" pessoas que não se conformam com mediocridade, que não querem perder horas com bobagens que a tecnologia e a mídia deixaram tão acessíveis em nossos celulares. São considerados puxa-sacos os que encaram o trabalho com alegria e responsabilidade, que não escondem seus erros. Será que você é do time que ridiculariza (em pensamento, palavras e ações) os profissionais competentes, inteligentes e interessados, só para se sentir "por cima"? Ou você é o profissional bacana que se sente um pouco excluído de alguns grupos? Tudo sutil, delicadamente tóxico. No final do dia nos sentimos infelizes e não sabemos o porquê, pois nada sério aconteceu. Aconteceu.

 

4. "Vi que a forma mais fácil de aprender é ensinar".

Mathias notou que se fosse voluntário, ensinando outros alunos, aprenderia mais, pois eles fariam perguntas que ele não saberia responder. Então, ele estudava tudo sozinho, depois ensinava. E depois pesquisava para responder as perguntas dos alunos.Nem toda organização permite o compartilhamento do que se aprende. Mesmo assim, quando se quer, as pessoas dão um jeito. Na empresa da qual sou sócia, a Companhia de Idiomas, fazemos uma reunião mensal exclusivamente para alguém contar sobre um livro que leu, um curso que fez, algo que descobriu. E a partir de 2016, todos  os funcionários são motivados a ficar pelo menos 30 minutos ao lado de algum colega cuja função é totalmente desconhecida. Algo bem livre – só pelo prazer de aprender mesmo. E quem ensina aprende mais.

 

5. "Tem amigos e uma namorada".

Sem prazer, vamos deixando nossa humanidade e nos tornamos uma espécie de robô da sociedade, pois vivemos apenas para desempenhar papéis. Os mais disciplinados correm risco de terem prazer apenas quando concluem tarefas. Eu aprendi que tenho de me cercar de gente livre, que não gosta muito de agenda, que subverte a ordem das coisas a fazer – para me dar o contraponto, para me lembrar a vida é mais que tarefas cumpridas.

 

6. "Ele toca bateria, saxofone, gaita, flauta, piano".

O Cortella diz que ouve música “diferente” todo dia. Ama música clássica, mas ouve funk.  Para quê?  Ampliar sua visão de mundo. Aprender coisas que não têm nada a ver com nossas carreiras nos torna eternamente aprendizes, amplia nosso conhecimento sobre o ser humano, nos deixa vulneráveis, humildes por saber que é muito difícil aprender algo do zero. Quem não é aprendiz há muito tempo começa a ficar com aquela aura de deus-sabedor-de-todas-as-coisas. Acha que está dominando e que os outros são meio burrinhos, pois você já explicou uma vez e eles não entenderam. Precisa aprender bordado ou mandarim, para se sentir vulnerável de novo. Isso nos deixa humanos.

 

7. "Sabe aquele cara que pega um balde de pipoca no cinema e explica como o milho estoura? É o Mathias."

Ok! Deve ser meio chato se ele faz isso depois que o filme começa. Mas quantos de nós somos de fato curiosos sobre a vida, sobre como as coisas e pessoas funcionam? Quantos pensam nisso? Quantos vivem na superficialidade, e, na sala de cinema, ainda estão lá no Whatsapp/Facebook/Snapchat/Instagram – sem explorar a sensação que o ambiente e a companhia proporcionam? Não temos moral de condenar os que adoram o Big Brother anual, se estamos encolhendo nossos interesses diários ao que acontece na vida dos outros. O Mathias foi só um pretexto para propor uma reflexão sobre sucesso, felicidade e nossa forma de viver nas organizações ou em qualquer lugar. É tempo de estar inteiro no agora, aprendendo algo com o milho da pipoca ou simplesmente explorando e curtindo o que acontece ao nosso redor e dentro de nós. 

Que 2016 seja de descobertas, e não apenas mais do mesmo. E que você se sinta vivo e feliz com estas descobertas!

 

Escrito por Rosangela Souza. Publicado em 02 de fevereiro de 2016 na Revista RH.com. Editado por Rosangela Souza para o site da Companhia de Idiomas – Artigos de Gestão.

 

Colunista: Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso, RH.com e Exame.com.   Professora de Técnicas de Comunicação, Gestão de Pessoas e Estratégia na pós graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.


“A atenção funciona como um músculo: pouco utilizada, ela definha; bem utilizada, ela melhora e se expande”. Daniel Goleman

 

A atenção é a habilidade de selecionar e focar em uma coisa, ideia ou tarefa enquanto filtramos o que se passa ao nosso redor. Há vários tipos de atenção:
 
Atenção Concentrada é a habilidade de se concentrar em um estímulo, enquanto excluímos outras coisas à nossa volta.
 
Atenção Sustentada representa a habilidade de manter uma resposta estável durante uma atividade incessante e repetitiva, ou seja, nos permite manter o foco em uma tarefa por um período de tempo contínuo e sem se distrair.
 
Atenção Seletiva quando conseguimos “selecionar” no que prestar atenção. Ela se refere ao ato consciente de se concentrar e evitar distrações de estímulos tanto externos (barulhos) quanto internos (pensamentos desnecessários). Exemplo: concentrar-se na voz do professor em uma sala de aula lotada e barulhenta.
 
Atenção alternada quando mudamos o foco da atenção ou alternamos entre diferentes tarefas que tenham diferentes níveis de exigência de compreensão.
 
A  questão é que a vida corrida, cheia de distrações internas e externas, estímulos, informações e estresse, faz com que tenhamos fadiga cerebral e, consequentemente, dificuldades para manter a atenção. Por isso, é fundamental recarregar as baterias das atenções. Como podemos fazer isso?
 
Não é nem pensar nem não pensar e também não é controlar a mente. É conhecê-la para usá-la melhor. É perceber com mais clareza o que nos cerca. Quando mudamos um pouco o olhar sobre as coisas, fazemos uma revolução.


Caminhar ou apreciar a natureza. Esse passeio pode ser em um parque arborizado, campo, floresta ou praia. O ambiente urbano, com muitos prédios, asfalto, trânsito e barulho não favorecem o bom funcionamento dos tipos de atenção que precisamos.


Torna o cérebro mais saudável. A falta de sono inviabiliza o aprendizado. O sono tem um papel crucial no processo de retenção de informações, na formação de novas memórias. Enfim, nosso cérebro precisa de várias horas de sono reparador. Fato!
 
Como qualquer uma das habilidades cognitivas, a atenção melhora com a prática. Desenvolver a atenção nos ajuda a processar informações com maior eficácia. Para aliar o treinamento de atenção com o estudo de inglês, há vários aplicativos.

Quero aqui recomendar o Elevate Brain Trainer http://elevateapp.com/#/. Respondemos a um questionário para definir quais competências desejamos incrementar: Writing, Listening, Speaking, Reading e Math. Depois de realizar um teste inicial e verificar o resultado de nosso desempenho, o aplicativo cria um programa de treino customizado. Com a versão gratuita, recebemos 3 desafios diários.

A falta de reflexão restringe nossa visão e torna nossas mentes cada vez mais estreitas. Por isso, além deste aplicativo, sugiro um momento de reflexão sobre o seu nível de atenção nas aulas de inglês. Vamos lá?
Quantas vezes você checa seus e-mails durante as aulas? Precisaria mesmo?
Quantas vezes você sai da aula para atender a uma ligação? Não poderia esperar?
Quantas vezes você checa sua timeline no Facebook ou outra rede social?
Quantas vezes você checa SMS ou mensagens no Whatsapp? Precisaria mesmo?
Mestre Yoda de Guerra nas Estrelas disse: “ O seu foco é sua realidade”.
 
Escrito por Lígia Crispino. Publicado em 01/02 na coluna semanal da Exame.com. Editado por Lígia Crispino para o blog da Companhia de Idiomas.

Lígia Velozo Crispino, fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução pela Unibero. Curso de Business English em Boston pela ELC. Coautora do Guia Corporativo Política de Treinamento para RHs e autora do livro de poemas Fora da Linha. Colunista dos portais RH.com, Vagas Profissões e Revista da Cultura. Organizadora do Sarau Conversar na Livraria Cultura.

E se você quer se aprofundar neste assunto, fale com a gente. A Companhia de Idiomas tem professores que vão até a sua casa ou empresa. Fale com: 

roselicampos@companhiadeidiomas.com.br

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