Todos nós somos definidos por nossas crenças. Crenças são aquelas vozes interiores que nos orientam em nossas ações, pois elas são tudo aquilo em que acreditamos, mesmo não podendo comprovar.

A crença gera um fato. Esse fato tem o objetivo de comprovar a própria crença. Na verdade, transformamos a crença em realidade. A questão é que existem crenças propulsoras e, infelizmente, crenças limitantes.  Qual é o perigo das crenças limitantes? Como o próprio nome diz, elas restringem, podam as ações. Elas atuam com ou sem a nossa permissão. O poder que damos às nossas crenças determina os resultados que obtemos, ditam o que podemos e não podemos fazer, o que merecemos ou não.

Além disso, as crenças definem a nossa comunicação. A forma como falamos e as palavras que usamos diariamente dizem muito sobre nós. As palavras são poderosas, pois carregam significados outros diferentes dos encontrados em dicionários.

Várias crenças limitantes possuem algumas palavras negativas em comum, a saber: não, nunca, nada, jamais, nenhum, ninguém, impossível, absurdo, lento, fraco, burro, limitado, inseguro entre outras.

Não estou dizendo que devemos evitar ou abolir essas palavras do nosso discurso, mas a combinação delas com outras palavras é que podem gerar grandes dificuldades na nossa vida.

Para facilitar a compreensão do que quero dizer, listei abaixo algumas crenças limitantes que podem fazer parte do nosso discurso e até mesmo na nossa linguagem não-verbal. Precisamos prestar atenção nas mensagens que passamos, na maioria das vezes, de forma inconsciente e oposta a que queremos verdadeiramente transmitir.

Eu sou lento

Eu não tenho paciência mesmo.

Tenho de ser rico para ser feliz.

O sucesso leva tempo.

Tudo que vem fácil vai fácil.

Não consigo trabalhar com isso.

Os outros são melhores do que eu.

Já cheguei no meu limite.

Eu não nasci para isso.

É impossível ganhar dinheiro trabalhando com isso.

Não posso confiar em ninguém.

Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Cada macaco no seu galho.

A teoria na prática é diferente.

Olho por olho, dente por dente.

Estresse é bom, evita a acomodação.

Elogio estraga.

O ótimo é inimigo do bom.

É no curto prazo que tudo acontece.

Tem gente que nem se dedicou aos estudos e é rico.

Quem sou eu para falar alguma coisa.

Proponho um exercício: mapear suas crenças, todas aquelas máximas que ditam suas escolhas e ações e também norteiam seu discurso. Você também pode usar a lista acima de crenças limitantes para verificar quais fazem parte do seu repertório.

Relacione todas elas e depois separe as que ajudam, ou seja, são propulsoras das que prejudicam, limitantes. Em seguida, pegue a lista das crenças limitantes e desafie todas elas, tentando responder às seguintes perguntas:

1.    O que exatamente você quer dizer com essa frase?

2.    Todas as pessoas com as quais você se relaciona também pensam assim?

3.    Quais dificuldades essa crença impõe à sua vida pessoal e profissional?

4.    Que benefícios essa crença traz a você?

Se a lista de dificuldades for maior que a de benefícios, você diante de uma crença realmente limitante e precisará fazer ajustes gradativos para não se deixar mais dominar por ela. Não é algo simples e rápido, mas a proposta é provocar uma reflexão e posterior percepção de como o que pensamos e falamos pode impedir o nosso progresso. Temos de buscar o domínio sobre as palavras e não ser dominados por elas. Conhecer-se cada vez mais é o caminho.

 

“Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?” Carlos Drummond de Andrade.

*Sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do Portal ProfCerto. 

Por Lígia Crispino para o Vagas.com.br



Ligia Crispino é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Formada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, possui cursos em Marketing de Serviços pela FGV; Gestão de Pessoas pelo Ibmec; Branding e Inteligência Competitiva, ambos pela ESPM; Business English em Boston. É analista quântica e dá palestras sobre comunicação, ensino, gestão de negócios e pessoas. Ligia escreve mensalmente para o VAGAS Profissões

Hoje temos nos deparado com uma situação um tanto contraditória: temos acesso a qualquer tipo de informação a um clique do computador ou celular. Vivemos a Era da Democratização do Conhecimento. No entanto, o que presenciamos é uma superficialidade muito grande norteando as pessoas.

Segundo o dicionário, superficial significa pouco profundo, pouco sólido, pouco fundamentado, leviano. Quando agimos superficialmente não nos atemos às minúcias. Qual é a consequência disso?

No ambiente corporativo, temos alguns problemas sérios:

1 – Os profissionais não têm mais paciência de ler mensagens, e-mails, relatórios, artigos, livros etc. Passam os olhos por algumas palavras e pretendem deduzir o conteúdo de forma rápida, sem perder tempo. 
2 – Para resolução de problemas são adotados os caminhos mais fáceis, não se pensam em todas as possibilidades. Tudo em nome da praticidade, a fim de passar para o próximo assunto.
3 – Em treinamentos para assumir a função de uma pessoa que foi promovida ou sairá da empresa, presenciamos aquele que está treinando querendo passar logo as atividades da sua função, com a intenção de se livrar para estar aberto ao novo. Quem está sendo treinado, por sua vez, não se interessa em perguntar, explorar, limitando-se a ouvir. Muitos simplesmente não anotam os detalhes que serão fundamentais para quando estiver sozinho responsável pela função.
4 – Muitos profissionais querem conhecer um pouco de tudo de várias áreas e funções e perdem o foco do que é realmente mais importante. Não se aprofundam em nada, quase tudo é tratado de forma rasa.
5 – Decisões são tomadas sem a devida clareza ou estudo dos fatos.
6 – Profissionais dão preferência para cursos rápidos, mas nem todo conhecimento é adquirido na mesma velocidade.

Sair da superficialidade significa aprofundar-se, perceber e entender. Para tal, é necessário que haja comprometimento, investimento em conhecimento e autoconhecimento mais profundo.

Não quero aqui defender que tudo seja abordado com profundidade. Não é isto! Em contrapartida, não dá para tudo ser visto superficialmente. O fato é que algumas situações exigem profundidade, análise cuidadosa. Outras demandam foco no que está sendo realizado. Por exemplo: se vou abrir um e-mail, preciso ler tudo com atenção e não algumas partes e já ir me preocupando com a resposta que vou dar. O importante é saber quando devemos ou não nos aprofundar. Não dá só para pensar demais e ser lento nem só para sair fazendo sem pensar, sem planejar, porque a chance de erro pode ser maior.

Para concluir, quero propor uma reflexão através de algumas citações sobre esse tema e também um questionário para que você, leitor, faça uma autoavaliação. Primeiramente, as citações que selecionei:

"Os defeitos, como as palhas, ficam na superfície. Para encontrar pérolas deve-se mergulhar". John Dryden, escritor inglês. 
"Aprender sem pensar é inútil. Pensar sem aprender, perigoso". Confúcio, pensador chinês.
"Pensar é um dos trabalhos mais difíceis que existe. Talvez por essa razão tão poucas pessoas o façam". Henry Ford, empreendedor americano, fundador da Ford.
"É melhor saber depois de ter pensado e discutido que aceitar os conhecimentos que ninguém discute para não ter de pensar." Fernando Savater, romancista e dramaturgo espanhol.
"Quem pensa com grandeza pode se enganar com grandeza". Martin Heidegger, filósofo alemão.
"Livre pensar é só pensar". Millôr Fernandes, escritor brasileiro.

Guimarães Rosa disse: "É possível através de um espelho reeducar o olhar".

Assim sendo, procure reeducar o seu olhar com o auxílio do questionário abaixo:

– O quanto você se dá conta da forma como lida com os temas que se apresentam no seu dia a dia?
– Como você reage sempre que alguém menos experiente o questiona sobre algo que você já faz há muito tempo? Você dá crédito e analisa ou simplesmente ignora?
– Você tem retrabalho por não ter lido atentamente as solicitações que lhe foram feitas?
– Você tem dificuldade para aceitar o diferente, o novo, pois acredita muito na fórmula do sucesso que você já conquistou?
– Você pergunta quando tem dúvidas ou faz pesquisa para entender melhor um determinado assunto?
– Você pesquisa quando alguém faz um comentário ou cita algum acontecimento sobre o qual você desconhecia?
– Você pede feedback?
– As suas ideias e opiniões são sempre melhores?
– Você é do tipo de pessoa que pensa demais para tomar decisões e, às vezes, deixa passar a oportunidade? O trem passa e você não sobe?

– Você é do tipo de pessoa que quase não pensa e age muito por impulso e, às vezes, arrepende-se do que faz ou diz?

Se quiser compartilhar suas experiências, será um prazer ouvi-lo!
 

Por Lígia Crispino para o RH.com.br

Ligia Crispino é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Formada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, possui cursos em Marketing de Serviços pela FGV; Gestão de Pessoas pelo Ibmec; Branding e Inteligência Competitiva, ambos pela ESPM; Business English em Boston. É analista quântica e dá palestras sobre comunicação, ensino, gestão de negócios e pessoas. Ligia escreve mensalmente para o VAGAS Profissões



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