A taxonomia de Bloom, mencionada em algumas sessões do workshop que conduzi com os professores da Companhia de Idiomas, em maio, revela que há algumas fases a percorrer no processo que denominamos aprendizado. Nessa ordem: conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação. Se você não é capaz de aplicar o que aprende, analisar de forma crítica, avaliar o que ocorre ao seu redor, está na hora de pensar sobre a qualidade do ensino que teve em sua infância e que tipo de aluno se tornou – o quanto foi cobrado a apenas despejar de volta conteúdos, ou foi motivado a pensar sobre eles e aplicá-los em diferentes contextos. Como consequência, que tipo de profissional você se tornou? Faz dezenas de cursos, assiste a palestras, anota bastante, mas na vida pessoal e profissional não muda muita coisa, não usa o que aprendeu, não questiona ou relaciona o que viu no curso ao que vê todos os dias? Então você ainda está na base da pirâmide do verdadeiro aprendizado, segundo Bloom. Ou você até questiona, mas deixa para fazer algo de concreto “depois”, já que agora está sem tempo? Aí vem outro curso, outra palestra, outro artigo e os bloquinhos de anotações vão se acumulando…

[CORTAR]Alguns conteúdos também não ajudam muito… Para ganhar tempo, são simplificados, resumidos e transmitidos, sob a égide de aulas repletas de equipamentos, projetores, power points, notebooks, lousas interativas, via satélite – aparatos excelentes quando se tem a essência da educação e do conteúdo, mas que, muitas vezes, apenas disfarçam as limitações dos professores e alunos, que no, final das contas, nunca se aprofundam nos temas. E não é que o curso pode até ser considerado “excelente” só por causa da tecnologia que o reveste? Incríveis esses novos tempos…

Estamos aqui na Companhia de Idiomas pesquisando sobre novas formas de aprendizado de idiomas, novas ferramentas, outros modelos de cursos, sempre com o cuidado de manter a essência da qualidade, que tem de permear tudo o que fazemos por aqui. Sabemos que a tecnologia tem de ser aproveitada nesse aprendizado, como facilitador: das agendas atribuladas dos professores e alunos profissionais, das ferramentas de aprendizado, dos resultados.

No entanto, nos dias de hoje, em que estamos tão encantados com os aparatos tecnológicos, há de se ter muito cuidado para não revestirmos a nossa superficialidade e limitações com tecnologia, como um sorvete ruim coberto com uma linda calda de chocolate quente. Como há pessoas que só enxergam (ou valorizam) a calda de chocolate quente, ainda podemos ser considerados inteligentes em nossa mediocridade, só porque temos “aquele” novo aparelhinho… Sabemos, contudo, que nada supera o excelente sorvete com uma maravilhosa calda… por isso, abracemos a tecnologia, sem abandonarmos a busca pela essência em tudo o que fazemos. A atualização tecnológica deve estar acompanhada do estudo e da pesquisa contínua.

Em nosso segmento, de nada adianta um curso de idiomas em EAD, com várias ferramentas “super modernas”, se tudo isso não capacitar o aluno a dominar o idioma. Por isso pesquisamos tanto antes de lançar um curso. Estamos aqui na Companhia de Idiomas estudando docência, marketing digital, EAD, gestão de pessoas, administração…. nunca tivemos tantos funcionários matriculados em cursos de extensão, pós-graduações e… cursos no formato EAD.

De nada adianta um profissional registrar todo o conteúdo de uma reunião em seu novo iPad, tuitar alguns trechos de uma aula, colocar a foto do palestrante no Facebook, gravar um trecho do curso e colocar no You Tube… e não ser capaz (ou não “ter tempo”) de refletir e aplicar o que foi “aprendido”. Ou ir para um curso e não se envolver com o tema, não pensar enquanto ouve o professor, não estabelecer conexões com sua realidade, não planejar, criar outras possibilidades de aplicação – porque estava, enquanto assistia a palestra, dando uma olhada em seus emails (uma olhada superficial, claro). Tudo feito, nada terminado. Tudo visto, nada aprofundado. Muitos compromissos, agenda cumprida para… para quê mesmo? Característica do nosso tempo?

Por outro lado, não podemos ser nostálgicos como o Gil, personagem do filme de Woody Allen, o ótimo Meia-noite em Paris, que só valorizava os anos 20 de Fitzgerald, Hemingway, Cole Porter, Picasso, Buñuel.. esquecendo-se de ver a beleza do presente. Interessante como Adriana, a outra personagem, valorizava apenas a época anterior – a Belle Époque – e não os anos 20! E os personagens da Belle Époque valorizavam apenas a Renascença… E nós, sabemos enxergar a beleza de nosso tempo? Eu nem sempre consigo!

Talvez o grande desafio de hoje seja, além de não nos encantarmos só com a calda de chocolate, conseguirmos estar inteiros e atentos em tudo o que fazemos, em cada papel que desempenhamos. Se eu terminei este texto e você o leu até aqui, já é um indício de que ainda temos domínio sobre nossa concentração, pode ser que consigamos terminar o que começamos, ainda temos salvação…

Quero agradecer a todos os leitores do blog da Companhia de Idiomas, por trocarem ideias comigo pessoalmente, por email, skype ou pelo próprio blog!

Rosangela de Fátima Souza (Rose) é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas, tradutora-intérprete, especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do curso de Docência de Nível Superior da FGV.

Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças” (Charles Darwin)

Esta célebre frase de Darwin nos conduz à reflexão sobre a presença inevitável das mudanças nos vários aspectos de nossas vidas, como um desafio que precisa ser aceito para a garantia de nossa existência. Assim também se apresenta essa realidade em nossa vida profissional, como professores de idiomas.

[CORTAR]Um dos maiores exemplos da dificuldade de lidar com a mudança em nossa vida profissional se manifesta quando nos deparamos com o desafio de ter que trabalhar com um material novo, que ainda não conhecemos. Isso aconteceu recentemente com muitos de nós, com a adoção de novos livros nos cursos de inglês, espanhol e alemão feita pela Companhia de Idiomas. Preocupada com a constante atualização e melhoria dos seus cursos, a Companhia de Idiomas investiu nessa tarefa, contando com a opinião de muitos de nós para a escolha dos novos materiais. E quando chegou o momento de trabalhar com eles, paramos e pensamos: E agora, o que fazer?

A pergunta sugere o reconhecimento de que teremos que repensar nosso modo de dar aulas, reestruturando as estratégias que tínhamos com o material anterior, e isso se resume em: mais trabalho! Isso sem falar nas dificuldades de adaptação que teremos com grupos que iniciaram o curso com o material antigo e, no nível seguinte, farão a mudança para o novo material, pois sabemos que os conteúdos linguísticos estão distribuídos de forma diferente e teremos que suar a camisa para encontrar maneiras de driblar as possíveis repetições ou a falta de um determinado conteúdo.

E, ao começar a trabalhar com o novo livro, são inevitáveis as comparações, tanto suas como dos próprios alunos: o livro antigo explicava melhor, tinha exercícios mais desafiadores, etc. Mas, como em toda mudança, perde-se em alguns aspectos e se ganha em outros, e nosso papel diante disso é aproveitar o que se ganha e explorar por meio de outras ferramentas de ensino o que se perde. Afinal de contas, o livro é apenas uma das ferramentas possíveis para compor uma aula! Mesmo reconhecendo o papel do livro como norteador dos conteúdos, mesclar seu uso com jogos, textos de revistas e jornais, músicas, vídeos e até mesmo atividades de outros livros certamente tornará a aula mais completa e enriquecedora.

Também é preciso reconhecer a contribuição dessa mudança para nosso crescimento como profissionais, já que com ela teremos a oportunidade de conhecer outras formas de abordagem dos conteúdos e assim refletir sobre as melhores estratégias a serem utilizadas em cada caso. Poderemos ser mais críticos, refinar nossa opinião sobre os materiais, pois teremos elementos para comparar, e essa reflexão nos tornará profissionais muito melhores. Esse é um caminho não só para a sobrevivência, mas também para a excelência!

Professora Nayna Nunes

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Com graduação e mestrado em Letras pela UNESP, está na Companhia de Idiomas desde 2006. Foi várias vezes premiada como professora Excelência – prêmio dado a professores com os melhores índices em Pesquisas de Satisfação de Alunos. Também foi várias vezes premiada como primeiro Lugar no Ranking de Espanhol.

Essa palavra normalmente traz uma conotação negativa e faz parte da nossa realidade. No entanto, se analisarmos friamente, ela pode ser oportunidade de aprendizado e crescimento, ou seja, um conflito pode e deve ser proveitoso, muitas vezes.

Se procurarmos no dicionário, conflito quer dizer:

1) oposição de interesses, sentimentos, ideias. 2) luta, disputa, desentendimento. 3) briga, confusão, tumulto, desordem. Enfim, há vários graus de conflitos, conflito interno e até o armado. As principais causas dos conflitos são as diferenças de personalidade; ego e estresse.

[CORTAR]Portanto, se somos pessoas diferentes, temos opiniões e ideias diferentes, certo? Como lidar quando temos de chegar a um denominador comum, seja no trabalho ou na família? Conflito é uma variável que demanda tempo, energia e habilidade.

Quando estamos diante de uma situação de conflito, temos de aprender a pensar antes de reagir, fazer escolhas, traçar metas e dialogar com a gente mesmo e com o outro ou outros envolvidos e interessados. Não podemos enxergar a pessoa que tem posição diferente da nossa como um oponente ou até inimigo. Não é uma disputa de quem tem razão, de quem tem mais poder ou de quem vai vencer, quem é o mais teimoso. Temos de pensar no porquê e no que será bom para o negócio, para a equipe, para o cliente, o que será bom para o convívio harmônico de todos, mesmo partilhando posições diferentes etc. Isso também vale para a família.

Quem não aprende a se colocar no lugar do outro se comportará como um rei ou um pequeno deus, que desejará que os demais gravitem em sua órbita, vai machucar e não se importará com isso. Algumas dessas pessoas “magnânimas” que reagem sem pensar moldam seu comportamento pelo fenômeno do bateu-levou, ação-reação. Ação-reação pode ser importante para a física, mas péssimo para o relacionamento entre as pessoas.

Por outro lado, existem aquelas pessoas que são o oposto do do bateu-levou, são as que fazem de tudo para não se colocar em conflito, que divergem, mas nunca se posicionam e, às vezes, ficam em cima do muro ou seguem a maioria. Em um ambiente no qual há unanimidade, há o medo da crítica e não há ótimos resultados e melhorias. Quem disse que a maioria está sempre certa?

Também não é sempre que temos de confrontar ou, ainda, não fazer nada, engolir ou deixar para lá. Na vida, nada pode ser 8 ou 80, os extremos são sempre nocivos para as relações, posições rígidas e inflexíveis minam as relações e adoecem o físico. Há que se ter resiliência, há que ser, em alguns momentos, 15 e em outros 50. As pessoas que mais evitam se posicionar são as que mais adoecem, pois vão acumulando frustrações ao longo da vida, deixam passar oportunidades de se mostrarem, de serem humanas.

Essas diferenças de reações existem, pois sempre buscamos fugir da dor e alcançar o prazer. Então, dependendo de que sensação ou emoção o conflito nos traz, iremos evitá-lo ou atrai-lo. Pense e responda a si mesmo:

Como o conflito faz você se sentir?

Energizado;entusiasmado; motivado; confiante; nervoso; desmotivado; frustrado; estressado; diminuído; incomodado; desafiado; indiferente

Procure se lembrar de quando era criança como você reagia a conflitos. Essa viagem ao passado é importante, pois tendemos a reproduzir comportamentos, adquiridos na infância e adolescência, na fase adulta, sem entender muito bem como. O que pensamos determina o que sentimos. O que sentimos determina o que registramos em nossa memória. O que registramos determina os pilares da nossa qualidade de vida. Uma pessoa inteligente aprende com seus erros, uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros. Temos de ser diretores do nosso roteiro de vida. Não queremos ser escravos de comportamentos que nos prejudicam, certo?

Crença é algo que nos dá direção e significado na vida, mas também pode nos prejudicar. Uma curiosidade antes de continuar com o tema: a palavra crença tem a mesma raiz da palavra opinião em grego (doxa), ou seja, é algo pessoal.

Crenças são aprendidas na infância e carregamos para a nossa vida adulta. Na crença não cabe a dúvida ou incerteza, crer é tomar algo por verdade certa, independente de comprovações sociais ou científicas. Crer é confiar, acreditar, apostar em algo apenas pela convicção de que ali está a verdade, pode-se dizer que a crença nos move a agir. No entanto, a crença também pode ser muito perigosa, uma vez que acreditar cegamente pode funcionar tanto para o bem quanto para o mal.

[CORTAR]Evidentemente, algumas são verdadeiras, outras não. As crenças começaram através de histórias e costumes. Elas são transmitidas pela religião, educação, mas principalmente por nossos pais. Temos dois exemplos extremamente conhecidos: Gandhi pregou a paz, Hitler pregou a guerra e o racismo, ambos criaram uma verdade absoluta e lutaram por ela a vida inteira. A crença pode criar tanto quanto destruir.

Quando somos crianças, pequenas e dependentes, ouvimos sem questionar, acreditando em nossos pais e nos adultos mais próximos, como se fossem donos de toda sabedoria e verdade, afinal são nossas únicas referências. Começamos aprendendo em casa com nossa família… Depois, conforme vamos crescendo, aprendemos na escola, com a televisão, Internet… Enfim, são infinitas as mensagens que recebemos diariamente das mais diversas fontes. Muitas são captadas sem percebermos e ficam registradas em nossa mente.

Muito de nosso sofrimento tem origem nas crenças que carregamos. Cada um de nós tem de identificar aquilo que um dia aprendeu e que continua acreditando como sendo verdade absoluta, apenas seguindo como se fossem regras impostas, sem questionamentos. Quem nunca ouviu: “Homem que é homem não chora?” E vemos tantos engolirem suas lágrimas, como se o fato de terem sensibilidade e sentimento os fizessem menos homens. Quantas pessoas continuam dentro de um relacionamento afetivo sem amor, companheirismo e amizade, só porque um dia aprenderam que casamento é para sempre?

Muitos de nós tem pensamentos mágicos como: “Quando casar todos os problemas serão resolvidos”, ou ainda: “Serei feliz quando conseguir comprar uma casa, ter um filho, um diploma, ter uma renda superior a que tenho”. Esses exemplos são reflexos de crenças aprendidas e que são carregadas dentro de nós como verdades. Crenças que são simplesmente seguidas e que não condizem com os nossos próprios valores.

As crenças também são a origem de várias culpas que temos. Muitas nos fazem acreditar que se não as seguirmos, estaremos no caminho errado outras limitam o nosso comportamento ou a nossa capacidade de produzir, obedecendo aos comandos do cérebro. Quando acreditamos com convicção que alguma coisa é verdade, é como se elaborássemos uma profecia que tem o poder de se auto-realizar, pois mandamos um comando ao nosso cérebro para representar o que está ocorrendo. Por isso, é tão importante identificar quais são as crenças que queremos continuar a ter.

A minha proposta é visitar a nossa Home Page de crenças e fazer um update(atualização), jogando para a lixeira aquilo que não nos serve mais. Tudo muda, não podemos ser rígidos e inflexíveis em nossos pensamentos, pois eles refletirão em nossas atitudes. Quando nossa própria voz for ouvida, é certo avaliar se está contaminada por crenças antigas e que podem – e devem – ser reavaliadas e atualizadas, agora sem mais permitir que conduzam sua vida, mas considerando nossas próprias verdades e necessidades mais íntimas.

Tudo que ouvimos, lemos e vemos deve ser analisado, e não apenas aceito passivamente. Devemos sim buscar orientação e informação. Porém, a decisão final sempre caberá a cada um de nós. Busque a tão almejada paz interior por meio do constante exercício de reflexão e diálogo interno. Nossas emoções são os sinais do nosso mundo interior e exterior. Elas nos avisam o que devemos ou não fazer. Por isso, pare por alguns segundos e perceba o que está sentindo. O cérebro somente faz o que lhe ordenamos. Ele não cria nossa realidade. Nós a criamos. E o que nós criamos, a qualidade de nossa realidade depende de nosso sistema de crenças. Há crenças que favorecem a excelência, outras que criam obstáculos. Como o nosso sistema de crenças depende exclusivamente de nós mesmos, por que não ajudá-lo a escolher as que nos façam crescer como seres humanos?

No último workshop que conduzi com os professores da Companhia de Idiomas, refletimos sobre algumas posturas que temos na vida profissional e pessoal: controle e paixão, planejamento e improviso, disciplina e o deixa rolar, que na hora eu vejo. Em qualquer área de atuação encontramos profissionais como Nina Sayers – a bailarina de Cisne Negro, que se fragmenta por dentro ao buscar a perfeição do movimento, através da disciplina excessiva, que a impedia de simplesmente sentir, deixar-se levar, entregar-se. “Let it go!” Repetia seu coreógrafo. E ela… ensaiava. Ele dizia: “A perfeição não está no controle, está na entrega.” E ela… controlava cada passo. Esse conselho do coreógrafo, contudo, não pode ser interpretado como uma motivação para o despreparo. Deve inspirar profissionais a buscar incansavelmente o conhecimento, a preparação, o planejamento – como a bailarina – mas também permitir sempre espaço para o improviso, se for fruto da paixão pelo que se faz, e da compreensão do outro: em nosso cenário, a Companhia de Idiomas, compreensão de quem é o aluno, e do que ele precisa.

[CORTAR]Será que somos capazes de equilibrar o conteúdo que queremos “transmitir” com aquilo que o aluno realmente precisa aprender? Será que não damos aulas sem perceber que muitas delas não têm nada a ver com o aluno, mas apenas com nossa vontade de abordar aquilo, naquele dia?

Andy Warhol é a antítese do personagem de Natalie Portman do filme Cisne Negro. Para mim, sua obra me parece sempre uma grande brincadeira. Mas é séria. Nos faz refletir sobre a cultura massificada, a cópia, a sociedade que só valoriza o consumo, e o que é verdadeiramente talento ou criatividade. Sua obra “Eight Elvises” foi vendida a um colecionador por 100 milhões de dólares, de acordo com a revista The Economist, em 2009. E era uma serigrafia, como tantas outras que fez, não era um quadro pintado a mão. Ele também não se preocupava em criar uma obra perfeita, planejada – deixava, muitas vezes, as imperfeições da impressão, falhas ou manchas de tinta. Que analogia podemos fazer entre sua obra e a nossa obra, ou seja, nossas aulas?

O Rei George, em O Discurso do Rei, de Tom Hooper, também pode inspirar nossa reflexão: ele só consegue vencer seu maior desafio quando se descobre imperfeito, quando se aceita, e adquire autoconfiança para falar em público, graças à coragem de seu terapeuta de fala, um profissional nada convencional e bem criativo. É essa coragem para propor algo novo, sem medo da crítica ou julgamento, que transforma bons profissionais em profissionais brilhantes.

Ótimas reflexões, mas, e no dia a dia? O professor planeja a sua aula, de acordo com a proposta pedagógica, plano de ação, plano de aula. Quando começa a explorar o conteúdo, seu aluno faz uma pergunta um pouco diferente do assunto que seria explorado no dia. O professor ouve e se vê diante de um dilema: o que fazer? Responder a pergunta objetivamente e continuar “a aula planejada” ? Anotar a questão e dizer que responderá ao terminar o que está expondo? Anotar a pergunta e pedir ao grupo que pense na resposta? Solicitar ao aluno que anote a pergunta e a repita ao final da aula? O professor deve saber analisar, em fração de segundos, se a pergunta contribui para o desenvolvimento do tema abordado. Se a aula for para um grupo, deve ter cuidado para não iniciar ali um diálogo apenas com aquele aluno, que pode ter um nível de compreensão conceitual mais alto que a classe, desmotivando os outros, por não entenderem a pergunta ou a resposta. Pode sinalizar a necessidade de uma atenção individualizada ao aluno que formulou a pergunta, uma vez que esta demonstra que o mesmo não está acompanhando o conteúdo. Enfim, o professor não pode esquecer seu planejamento todas as vezes que um aluno fizer uma pergunta fora do script, mas também não pode elaborar um planejamento refratário a improvisos.

O plano precisa existir : o método, o objetivo de cada curso, o prazo, o estágio, a aula. O objetivo não pode ser esquecido. Mas o improviso precisa fazer parte do plano.

Se o objetivo estiver claro, a atividade pode ser mudada, como um improviso planejado. É possível incorporar o improviso ao planejamento – como parte da sua essência, e não como adorno ou concessão. O improviso deve ser considerado um espaço legítimo da flexibilidade e da inovação na aula. Ater-se apenas ao que foi planejado é matar a inovação, é impedir que o aluno seja parte do processo. E quando o professor preserva o planejamento sem flexibilizá-lo, dando aulas repetidas a alunos diferentes por vários anos, enterra qualquer chance de obter resultados consistentes naquele curso, pois não enxerga mais o aluno e suas necessidades e motivações.

Citando uma frase de Andy Warhol: “Temo que se você olhar para alguma coisa por muito tempo, ela perderá totalmente o significado.”

Se você está fazendo a mesma coisa há algum tempo, fique atento para combinar técnica e sensibilidade, planejamento e improviso, ciência e arte, disciplina e prazer, razão e afeto, transmissão de conteúdo e reconstrução do conhecimento. Quando o profissional – em qualquer área – conseguir vencer este desafio, acabará a inflexibilidade catatônica que emburrece a todos nós, um pouquinho, todos os dias.

Rosangela F. Souza é sócia-diretora da Companhia de Idiomas, Especialista em Gestão Empresarial, com MBA pela Fundação Getulio Vargas e aluna do curso de Docência da FGV.


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