Se você quer fazer um curso numa universidade estrangeira, é provável que tenha que apresentar essays. São redações que os candidatos têm de escrever como parte do processo seletivo (application) para estudar no exterior.
 

 

Uma das redações é a carta de motivação ou personal statement. Trata-se de um texto muito pessoal, escrito em inglês pelo estudante sobre algum tema escolhido por ele ou pela universidade. 
 
É fato que as comitês de admissão geralmente colocam mais peso no histórico escolar e nos resultados do aluno. No entanto, as universidades mais seletivas recebem candidaturas de vários bons alunos com resultados e notas semelhantes.
 
Então, elas usam o essay, juntamente com recommendation letters (cartas de recomendação) e extracurricular activities (atividades extracurriculares) para descobrir o que diferencia os candidatos talentosos.
 
É fundamental começar a escrever com bastante antecedência. Se você chegar perto demais da deadline (data limite) para inscrição no processo seletivo, a qualidade do seu texto pode sofrer. 
 
Vamos a mais dicas?
 
1) Lembre-se de que o primeiro passo é fazer um brainstorming. Iniciar o essay pode ser a parte mais difícil de todo o processo. Então escreva tudo, sem julgamento inicial, sobre sua personalidade e defina seus pontos fortes. Seja específico;
 
2) Considere as seguintes sugestões para o texto: 
a) O que o diferencia? Você tem interesses, personalidade e uma experiência única. Esta é a chance de contar a sua história (ou pelo menos parte dela);
b) Descreva um personagem fictício, uma figura histórica ou um artista que tenha grande influência em sua vida e descreva de que forma ela o afeta;
c) Descreva uma experiência na sua vida que ilustre como você pode ajudar na diversidade da comunidade universitária;
d) Escreva sobre algo que é importante para você. Pode ser sobre uma experiência, uma pessoa, um livro, qualquer coisa que tenha impactado a sua vida;
e) Não faça apenas uma narração. Ao falar sobre suas experiências, é fundamental descrever o que você aprendeu com ela;
 
3) Deixe o seu primeiro rascunho “rolar”. Serão necessários vários testes até se chegar ao resultado desejado;
 
4) Desenvolva o seu texto em três partes:
a) Introduction (Introdução): um parágrafo que introduz seu essay
b) Body (Corpo): vários parágrafos explicando a ideia principal com exemplos
c) Conclusion (Conclusão): um parágrafo que resume e conclui o essay e mostra claramente por que você deve ser escolhido
 
5) Seja criativo na forma como apresenta os fatos, use recursos de linguagem, fuja do padrão, do texto formatado. Não invente e nem dê respostas baseadas nos vários guias que são facilmente encontrados por aí. Autenticidade é um diferencial;
 
6) Peça feedback. Mostre seu rascunho para a família, amigos e professores. Pergunte se ele faz sentido e se o que está escrito se parece com você. Considere as opiniões de todas as pessoas e faça alterações. No entanto, o texto tem de ser de sua autoria. Leia atentamente depois de fazer os ajustes sugeridos;
 
7) Tente, sempre que possível, começar as sentenças em primeira pessoa do singular (Eu);
 
8) Demonstre seu interesse pela área que deseja estudar. Você não precisa saber tudo sobre ela, afinal, é exatamente para aprender que você quer ser admitido;
 
9) Relate apenas as experiências de trabalho que sejam relevantes à sua área de estudo;
 
10) Qualidade é melhor que quantidade. Use sentenças curtas e objetivas. As desnecessariamente longas podem entendiar os avaliadores. Não seja repetitivo. Cite aprendizados apenas um vez. Um exemplo bem dado é suficiente.
 
Erros a evitar
 
Para finalizar, vale tomar muito cuidado com os seguintes tópicos gramaticais:
 
1) Verbos make e do. Eles são muito usados para falar de nossas experiências e aprendizados. Veja mais sobre a diferença entre eles.
 
2) Falsos cognatos, ou seja, palavras em inglês e português que se parecem na grafia, mas que têm significados diferentes. Um verbo que aparece em essays é o intend(pretender), que não pode ser confundido com pretend (fingir). Descubra mais sobre o tema.
 
3) Tempos verbais, principalmente porque você descreverá fatos que já ocorreram e usará muitos verbos no passado. 
 
4) Concordância entre sujeito e verbo, em especial quando estão separados.
 
5) Verbos usados como sujeitos nas frases têm de estar no gerúndio. No exemplo"Learning something new is not scary", learning é sujeito para o verbo is. Em português, o verbo fica no infinitivo.
 
6) Preposições. Não se esqueça de que os verbos após preposições precisam ser usados no gerúndio. Algumas que podem ser necessárias em essays e comumente aplicadas indevidamente:
 
To be responsible for
To look forward to
To learn from
To focus on
Independent of
To depend on

Escrito por Lígia Crispino. Publicado em 25/10 na coluna semanal da Exame.com. Editado por Lígia Crispino para o blog da Companhia de Idiomas.

Lígia Velozo Crispino, fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução pela Unibero. Curso de Business English em Boston pela ELC. Coautora do Guia Corporativo Política de Treinamento para RHs e autora do livro de poemas Fora da Linha. Colunista dos portais RH.com, Vagas Profissões e Revista da Cultura. Organizadora do Sarau Conversar na Livraria Cultura.

E se você quer se aprofundar neste assunto, fale com a gente. A Companhia de Idiomas tem professores que vão até a sua casa ou empresa. 
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